Movimentos e organizações da Península Ibérica unidos por uma moratória ao cultivo de transgénicos

[2008/03/17] O governo francês instaurou recentemente uma moratória ao cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM) através da aplicação da cláusula de salvaguarda. Esta medida baseou-se num conjunto de 25 estudos científicos que apontam para a existência de riscos para o ambiente, para a agricultura e para a saúde humana decorrentes da utilização das variedades de milho geneticamente modificado MON810 (milho insecticida). Portugal e Espanha, por outro lado, continuam a ser bastiões da industria da agrobiotecnologia, com as maiores áreas cultivadas em toda a Europa.
Nos dias 15 e 16 de Março reuniu-se em Derio, no País Basco um conjunto amplo de organizações e movimentos sociais da Península Ibérica. Os movimentos e organizações presentes convergiram numa estratégia conjunta para exigir aos governos de Zapatero e Sócrates a aplicação da cláusula de salvaguarda para a instauração de uma moratória ao cultivo de transgénicos.
Os movimentos e organizações participaram no Fórum intitulado “Com soberania alimentar, sem transgénicos”. Além de movimentos ecologistas e de agricultores de Portugal e do estado Espanhol, este evento contou também com agricultores da Via Campesina provenientes de 4 continentes, num total de mais de 200 participantes. De Portugal estiveram presentes delegações da Plataforma Transgénicos Fora, da Confederação Nacional de Agricultura, do GAIA e da Quercus.
Ao longo dos dois dias de trabalho e das várias oficinas temáticas, os participantes elaboraram uma declaração conjunta (disponível aqui), que reforça a rejeição generalizada dos cidadãos ao consumo transgénicos e alerta para a necessidade de preservação dos cultivos tradicionais e a defesa da soberania alimentar, ameaçados pela proliferação dos cultivos transgénicos.