Campos de golfe: Açores lança revolução

Ponta Delgada, 1 de ABRIL de 2007

Nos Açores, em Santa Maria, vai nascer o mais revolucionário Campo de Golfe do mundo

Desde há muito que a Secretaria da Economia anunciava a intenção de dotar a ilha de Santa Maria com um Campo de Golfe, e chegou a ser encomendado à SGS o Estudo de Impacte Ambiental.

A Quercus estranhou que esta iniciativa pudesse ser viável porque esta ilha mal tem água disponível para os seus 6 mil habitantes, quanto mais para se poder dar ao luxo de ter um Campo de Golfe que em termos hídricos representa o equivalente a 60 mil habitantes.

Neste enquadramento questionamos a Direcção Regional dos Recursos Hídricos e Ordenamento do Território, assim como o Professor António Brito, responsável pelo Conselho Regional da Água, não obtendo resposta, pois ignoravam a existência deste projecto.

Só agora foi conhecida a razão de ser deste “segredo”, justificado pela consolidação de patentes, ao fim de 69 meses de investigação intensa no INOVA, em parceria com a Universidade dos Açores.

De facto, uma vez demonstrado o seu sucesso, este “ovo de Colombo” poderá ser exportado para todas as regiões litorais que, como o Algarve o que poderá trazer significativas receitas para os Açores e para a SIRAM, que custeou toda este projecto de investigação.

Agora já se percebe a razão dos projectados gastos da SIRAM na promoção do Golfe Açoriano, orçamentados em 300.000.000 € para os próximos 4 anos. Assim, este Campo de Golfe, pela sua originalidade e sustentabilidade ambiental, irá contribuir para a máxima notoriedade quer do Arquipélago quer do crescente prestígio da nossa Universidade.

E aparentemente parece uma solução simples para um problema simples, só que foram necessários quase 70 meses para obter êxito: a solução da falta de água doce resolve-se com água do mar para rega não da usual relva mas sim de um tapete de algas transgénicas.

Foram envolvidas várias espécies de algas vermelhas (incluindo o gelidium para retenção da água) castanhas da intercotidal (para melhor textura) e calcárias (inibidoras da evapotranspiração).

Há cerca de um ano e após múltiplas e sucessivas manipulações genéticas, só restava o problema paisagístico da tonalidade castanho-avermelhada que não fazia lembrar o verde fresco da relva. Isto foi resolvido ao fim de sucessivas intercalações de cloroplastos e genes de algas verdes, com resultados esplêndidos.

Restava um problema: este tapete vivo de algas trangénicas, carece de ser regado de 12 em 12 horas (equivalente às marés), o que com disponibilidade infinita de água do mar não constitui problema, mas, quando chove muito a água doce inicia a morte destas algas.

Este problema também foi solucionado porque, quando chove muito os jogos podem ser interrompidos e procedendo à rega intensa durante a chuvada, com volume 3 vezes superior à chuva, o problema fica resolvido.

Assim, neste dia 1 de Abril, brincamos com coisas sérias porque na verdade Santa Maria parece não ter água doce em quantidade suficiente para se poder dar ao luxo de ter um Campo de Golfe.

Acresce que as autoridades responsáveis pelos recursos hídricos não podem abster-se na avaliação da sustentabilidade de projectos que se compreende a Secretaria da Economia não entender.

Note-se que as Alterações Climáticas a curto prazo nos Açores, sugerem a intensificação das chuvas no Inverno e prolongadas secas no resto do ano.

No entanto não há impossíveis: Uma central eólica pode bombear água do mar para uma lagoa artificial lá em cima e esta ser utilizada para uma hídrica cá em baixo. Com mais umas pás eólicas, produzindo energia a mais do que as necessidades da população, o excesso de energia pode ser utilizado para lá em cima dessalinizar parte da água do mar que pode ser usada na rega. Seria um preço que os golfistas teriam de pagar!

Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza

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