Batata transgénica Amflora aprovada pela Comissão Europeia

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/06/18 - Veja aqui as reacções a esta aprovação.



Um cientista da BASF observa batatas transgénicas da variedade Amflora

2010/03/02 - A Comissão Europeia aprovou hoje para cultivo, para uso industrial e para alimentação animal, a batata transgénica Amflora da BASF. Também é aprovada para a alimentação humana, mas apenas como contaminante e desde que não atinja os 0.9%. Este é o primeiro transgénico autorizado para cultivo na União Europeia desde 1998. A aprovação é controversa também pela forma como foi conduzida: em vez de ser discutido em plenário de todos os comissários, Durão Barroso optou por um processo "de secretaria" sem qualquer transparência em que apenas ele próprio e o Comissário Dalli (responsável nesta matéria) assinaram o documento - sem qualquer informação prévia aos restantes comissários ou aos Estados Membros.

A Amflora foi geneticamente alterada para fins industriais pela empresa alemã BASF. Deverá ser cultivada apenas sob contrato e, em princípio, não estará à venda livremente. A sua composição química diferente torna-a mais interessante para a produção de pasta de papel do que uma batata normal. O cultivo poderá começar já este ano.

Acontece que nesta Amflora, além do transgene, também foi introduzido um gene de resistência a antibióticos - precisamente o que a legislação europeia desde 2004 estabelece que não deveria ser permitido. Além disso a Directiva 2001/18 obriga a estudos de longo prazo para determinar a segurança alimentar de transgénicos e, no caso da Amflora, apenas foi realizado um estudo de 3 meses. Os estudos de longo prazo duram 24 meses.

A indústria também tem muitas reservas quanto a esta batata transgénica. Emsland Stärke GmbH, o maior produtor alemão de amido de batata, e o segundo maior do mundo, já anunciou publicamente que, ao contrário do que tinha chegado a equacionar, não irá adoptar batatas transgénicas.

De notar que a Amflora não traz nada de novo. Duas variedades de batata convencional, já disponíveis no mercado (uma da empresa Avebe e outra da Europlant), têm exactamente a mesma característica de amido alterado que a Amflora tem - só que esse processo foi conduzido através de melhoramento convencional e não por engenharia genética. Assim, a Amflora afigura-se não só como perigosa mas também como inútil. A BASF provavelmente acabará por chegar a esta mesma conclusão.

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