Riscos para a saúde

O DNA das plantas transgénicas está presente no leite e tecidos animais

Acumulam-se as evidências científicas de que o DNA das plantas transgénicas está presente nos tecidos, incluindo leite, órgãos internos e músculos, dos animais que consomem essas rações. Abaixo elencam-se alguns dos artigos publicados nesta área. O mais recente, de Tudisco et al., é particularmente interessante porque não só detetou o DNA transgénico no leite de cabras, como o encontrou também no sangue e tecidos (músculo, rim, figado, coração e sangue) dos filhotes que estavam a ser amamentados. Além disso os cientistas descobriram que esses filhotes apresentavam uma alteração significativa no funcionamento de uma enzima (a desidrogenase lática) presente no coração, músculo e rim. Exatamente o que é que significa consumir leite e carne proveniente de animais que consumiram transgénicos ainda não é possível dizer. Mas a partir de agora também já ninguém pode afirmar que o DNA transgénico se degrada e desaparece durante a digestão, o que abre toda uma nova área de segurança alimentar à espera de ser estudada. Entretanto os transgénicos continuam a ser usados em rações todos os dias, em todo o país...

Suíça: As plantas geneticamente modificadas não podem ser consideradas seguras

2011/12/12 - Em 2005 os Suíços aprovaram em referendo uma moratória que suspendeu o cultivo de transgénicos durante cinco anos. Posteriormente essa moratória foi alargada até Novembro de 2013. Hoje, a Comissão Federal de Ética para a Biotecnologia Não-Humana publicou um relatório que estabelece os requisitos éticos que deverão nortear a comercialização de transgénicos no futuro.

Neste documento a Comissão reconhece que as plantas transgénicas são mais do que a mera soma "planta + transgene", isto é, as plantas geneticamente modificadas podem apresentar características inesperadas e como tal existe sempre um déficit de informação quanto aos verdadeiros riscos para a saúde e o ambiente. Ou seja, não se pode ter a certeza de que as plantas transgénicas sejam seguras.

Ainda segundo este relatório as empresas que desenvolvem os transgénicos têm atualmente "uma posição de monopólio" que impede a investigação independente dos reais impactos dos transgénicos e sugere a criação de legislação que obrigue essas empresas a disponibilizar o material aos cientístas interessados.

Finalmente a Comissão sublinha também que é função do Estado garantir a continução do direito à escolha, ou seja, do direito a não consumir transgénicos. Por outro lado, lembram, o Estado não tem a obrigação de garantir o direito a comer transgénicos, uma vez que estes não são estritamente necessários a nenhum consumidor.

O totobola dos transgénicos

Setembro de 2010 - A ciência, com todas as suas limitações, ainda assim não pára de acumular provas da instabilidade e imprevisibilidade das plantas transgénicas. Já se sabia que, quando as variedades transgénicas são criadas, se usam as variedades convencionais topo de gama como ponto de partida, e que portanto o aparente aumento de produtividade se deve de facto ao vigor dessas linhagens convencionais. Também se sabe que ao fim de algum tempo se instala a resistência, tanto em ervas daninhas como em insectos.

E agora cientistas suíços publicaram um trabalho que acrescenta mais alguns dados muito importantes. O que eles verificaram foi que, quando diferentes variedades transgénicas (de trigo, neste caso) com bons resultados em estufa eram cultivadas em campo aberto, tudo podia acontecer: quebras de produtividade (até 56%!) e maior susceptibilidade à doença (até 40 vezes mais!) foram os resultados mais dramáticos. Também encontraram uma quebra geral de vigor e maior vulnerabilidade aos stresses ambientais, para além de alterações na morfologia.

O que estes resultados mostram é que o processo de manipulação genética afectou profundamente a constituição da planta, de formas que só se tornam visíveis quando determinadas condições estão reunidas. Ou seja, um transgénico pode ter um comportamento relativamente normal... até ao dia em que muda um qualquer factor ambiental e a produtividade (ou outro aspecto importante) colapsa ou se torna deficiente.

Como é que podemos colocar a futura subsistência alimentar da espécie humana a depender de plantas com comportamento tão aleatório? Como é que podemos continuar a aprovar transgénicos para cultivo sem os sujeitar a pelo menos alguns testes de stress?

Eis o artigo científico respectivo: Transgene x Environment Interactions in Genetically Modified Wheat.

43 proteínas!


Setembro 2010 - Quem não ouviu já dizer que os transgénicos são iguais à planta original mais uma única proteína, a transgénica? Pois bem, nada poderia estar mais longe da verdade. Um trabalho realizado por equipas de duas universidade italianas revelou que, no caso do milho transgénico MON 810 (o mesmo que é cultivado em Portugal), a manipulação genética introduz uma profusão de alterações, para além de acrescentar a proteína nova propriamente dita. Foram detectadas mudanças nos níveis de expressão de 43 proteínas! Estas alterações - totalmente inesperadas - são atribuídas pelos cientistas ao processo de introdução do transgene. Um pouco como uma bomba atira estilhaços, também a entrada do transgene cria interferências em muitos outros pontos do genoma. Isto não prova que este transgénico represente um risco para a saúde, note-se, mas certamente prova que é claramente diferente da variedade de controlo. E isso é precisamente o que a indústria e a EFSA (Autoridade Europeia de Segurança Alimentar) se recusam a admitir.

Eis o artigo: Proteomics as a Complementary Tool for Identifying Unintended Side Effects Occurring in Transgenic Maize Seeds As a Result of Genetic Modifications.

E o leite?

Setembro de 2010 - A indústria dos transgénicos, e os cientistas com ela conotados, não admite que possa haver qualquer alteração no leite (ou na carne) dos animais alimentados com rações transgénicas. Mas as evidências laboratoriais começam a acumular-se. Em experiências realizadas com cabras, um grupo de cientistas italianos verificou que o transgene da soja geneticamente modificada está presente tanto no leite como no sangue dos animais que a comeram. Quanto aos cabritos nascidos dessas cabras alimentadas com soja transgénica foi possível encontrar o transgene no fígado, rim, coração e músculo. Também se verificaram alterações importantes na actividade enzimática no rim, coração e músculo esquelético dos cabritos. A soja transgénica empregue é uma variedade autorizada na União Europeia e utilizada correntemente em rações, nomeadamente em Portugal.

O artigo científico relativo a estas experiências foi publicado este ano e está disponível para descarregar: Fate of transgenic DNA and evaluation of metabolic effects in goats fed genetically modified soybean and in their offsprings.

Transgénicos: Será que precisamos deles?

O professor Marco Antônio Záchia Ayub, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Brasil) é doutor em Biologia Celular e Molecular e ensina na área da Biotecnologia e, para responder com mais facilidade a muitas questões dos seus alunos, publicou um documento que, numa linguagem acessível, desmonta numerosos mitos associados aos alimentos e culturas transgénicas. Para ler, basta clicar e descarregar: Alimentos Transgênicos - Será Que Precisamos Deles?.

Ciência: Três transgénicos em circulação são inseguros

2009/12/14 - Naquele que já é considerado o mais sistemático estudo científico até à data de três importantes tipos de milho transgénico em circulação (MON 810, MON 863 e NK 603, todos da Monsanto), investigadores das universidades francesas de Caen e Rouen demonstraram numerosos efeitos secundários negativos associados ao seu consumo. A avaliação teve por base os dados obtidos com animais de laboratório pela própria empresa Monsanto, que foi obrigada a entregá-los por decisão judicial. Ficamos a saber que estes transgénicos causam alterações a nível do fígado, rins, coração, glândulas adrenais, baço e sistema sanguíneo. A dimensão do impacto varia com o transgénico, com a dose envolvida e com o sexo dos animais. Estes resultados são suficientes para justificar a aplicação do princípio da precaução e levar à suspensão imediata da circulação comercial destas três variedades. Mas se, como é hábito, outros valores mais altos se levantarem, é garantido que a protecção da saúde dos europeus não vai ter prioridade alguma.

O artigo científico está disponível para descarregar: "A Comparison of the Effects of Three GM Corn Varieties on Mammalian Health"

Afinal os animais que comem transgénicos ficam mesmo diferentes!

2009/11/18 - Pela primeira vez um organismo oficial admitiu que os animais alimentados com ingredientes transgénicos ficam diferentes daqueles cuja dieta é livre de OGM. Passou-se na Nova Zelândia, com a New Zealand Commerce Commisssion que teve de decidir se um anúncio televisivo de Inghams, um produtor de rações e de galinhas, continha ou não publicidade enganosa quando referia que as suas galinhas - alimentadas com transgénicos - eram iguais às restantes. A empresa aceitou a decisão e retirou o anúncio.

The Risks of Genetic Engineering

Arpad Pusztai and the Risks of Genetic Engineering
By Ken Roseboro, ed.
The Organic and Non-GMO Report, June 2009

Arpad Pusztai was one of the first scientists to raise concerns about the safety of genetically modified foods. In the late 1990s, Pusztai, a respected molecular biologist, conducted research on GM potatoes for the Rowett Institute in Scotland. The potatoes were genetically altered to produce lectins, natural insecticides, to protect them against aphids. Pusztai conducted feeding studies on rats and found that the potatoes damaged the animals' gut, other organs, and immune system. In 1998, Pusztai expressed his concerns about GM foods on a British television program and was promptly suspended and forced to retire from his position. Dr. Pusztai's research was later peer reviewed and published in The Lancet, a leading British medical journal.

Q: You were initially supportive of genetically modified foods, is that correct?

Yes, I thought at the time on the basis of rather poor understanding of genetic modification that it was a good idea. As we progressed with our experimental work we found all the snags and I had to re-assess my ideas.

Q: What negative impacts did you find with GM potatoes you were developing?

Associação de médicos adverte contra os transgénicos e pede moratória

2009/05/19 - A Academia Americana de Medicina Ambiental (AAMA) levantou sérias dúvidas quanto à segurança dos transgénicos em termos da saúde humana e pediu uma moratória imediata à sua venda.

A AAMA analisou a ciência disponível e concluiu que "a relação entre os transgénicos e efeitos negativos na saúde é mais do que uma mera coincidência", e que a ligação causa-efeito "é confirmada em vários estudos em animais". Ainda segundo a AAMA, os riscos para a saúde são sérios e incluem a infertilidade, desregulação imunitária, envelhecimento acelerado, desregulação de genes associados à síntese do colesterol, à regulação da insulina, à comunicação celular e à síntese proteica, e ainda alterações hepáticas, renais e gastrointestinais.

A Dra. Jennifer Armstrong, presidente da AAMA, afirmou: "Os médicos provavelmente estão a encontrar estes efeitos nos seus doentes, mas não sabem colocar as questões correctas". Face a esta realidade a AAMA pediu a realização de estudos científicos independentes sobre as consequências de longo prazo dos transgénicos na saúde humana, para além de rotulagem generalizada.

Para saber mais pode descarregar o comunicado de imprensa da AAMA e o relatório de reflexão da AAMA.

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