Riscos para a agricultura

"Não estamos tendo direito de opção"

2010/05/18 - No Brasil os produtores que querem cultivar soja convencional estão com dificuldades em comprar semente - e isto porque a Monsanto quer forçar a compra de soja transgénica. Segundo duas associações de produtores, a Monsanto só vende semente de soja na proporção de um mínimo de 85% transgénica e um máximo de 15% não transgénica. Ou seja, mesmo quem não quer comprar transgénicos tem que se vergar ao que a empresa impõe, porque quase não há concorrência. A Monsanto controla 70% de todo o mercado de semente de soja e, nalgumas regiões, possui um verdadeiro monopólio. O desabafo do presidente de uma das associações devia servir como aviso para os agricultores portugueses: "Não estamos tendo direito de opção."

Pode ler o despacho completo da agência noticiosa: Agricultores reclamam que Monsanto restringe acesso a sementes de soja convencional

Sem sementes limpas de contaminação não há escolha para ninguém

2010/05/09 - Um estudo divulgado hoje pela IFOAM (Federação Internacional para a Agricultura Biológica) concluiu que não é possível fazer agricultura livre de transgénicos se não se optar por manter as sementes isentas de toda e qualquer contaminação. Isto pode parecer óbvio, mas a verdade é que a Comissão Europeia está a discutir, desde 2004, a possibilidade de permitir alguma contaminação transgénica nas sementes comerciais vendidas para a agricultura biológica e convencional. Segundo o IFOAM a pureza das sementes é essencial, não apenas para permitir o real direito à escolha do consumidor, mas também para maximizar a segurança alimentar no caso de se vir a descobrir que um determinado transgénico em circulação tem afinal de ser retirado do mercado.

O estudo está disponível: Economic Impacts of Labelling Thresholds for the Adventitious Presence of Genetically Engineered Organisms in Conventional and Organic Seed

Mais Transgénicos Significa Mais Pragas

2010/03/26 - Um estudo divulgado hoje vem mostrar que, nos Estados Unidos, o cultivo em grande escala de milho transgénico levou ao aparecimento de uma nova praga nas principais zonas de produção de milho. Trata-se da Loxagrotis albicosta (Western Bean Cutworm, em inglês), que infesta as pontas das maçarocas. Estão a verificar-se prejuízos massivos precisamente nas regiões em que o milho transgénico MON 810 (que produz uma toxina do tipo Bt, contra a broca) é cultivado de forma mais generalizada. A razão para isso, tanto quanto é possível saber desde já, tem a ver com o facto de o Bt usado no MON 810 estar a eliminar o competidor natural da Loxagrotis albicosta, permitindo assim que este insecto se expanda livremente.

Pode ler o estudo completo: Agro-Biotechnology - New plant pest caused by genetically engineered corn

Monsanto admite que a sua tecnologia falhou

2010/03/19 - A Monsanto acabou de admitir oficialmente que, na Índia – um dos maiores produtores mundiais de algodão transgénico, todo ele da Monsanto – uma praga, a lagarta rosada (Pectinophora gossypiella) adquiriu resistência ao seu algodão Bt, a que inicialmente era sensível. A sugestão da Monsanto, agora, é que pulverizem insecticidas. E claro, que comprem sementes transgénicas de segunda geração, mais caras mas sem qualquer garantia de que não se tornem rapidamente ineficazes tal como as anteriores. Mas este não é precisamente o círculo vicioso que nos prometeram que os transgénicos vinham resolver?

Pode consultar aqui uma das muitas notícias sobre o assunto: Hardy Cotton-Munching Pests Are Latest Blow to GM Crops.

O preço das sementes GM não pára de subir

2009/12/03 - Um relatório publicado hoje mostra que o custo das sementes transgénicas nos Estados Unidos tem subido muito acima do que se verifica para as sementes convencionais, o que se reflecte numa descida do lucro dos produtores. Neste trabalho verifica-se que, nos 25 anos entre 1975 e 2000 o preço da semente de soja não transgénica subiu uns modestos 63%. Mas a semente de soja transgénica nos nove anos desde 2000 aumentou de preço desmedidamente: 230% ! E em 2010 a variedade de soja transgénica Roundup Ready 2 vai custar mais 42% do que custava em 2009.
Para o milho transgénico SmartStax as sementes custam mais do dobro das de milho convencional de topo. E com o algodão transgénico o custo está seis vezes! acima do das sementes convencionais mais produtivas.

O documento está disponível para descarregar: "The Magnitude and Impacts of the Biotech and Organic Seed Price Premium"

Revelado aumento dramático no uso de pesticidas associado aos cultivos transgénicos


2009/11/17 - Um novo relatório publicado hoje enterrou o mito frequentemente ouvido de que as culturas transgénicas necessitam de menos pesticidas. Com números objectivos e oficiais do Departamento de Agricultura americano foi possível verificar essa subida significativa, resultante em grande medida do facto de que estão a aparecer cada vez mais infestantes resistentes aos herbicidas aplicados em transgénicos. Para o milho, soja e algodão transgénicos ocorreu um aumento acumulado de consumo de 144 mil toneladas de herbicida no total dos treze anos desde que se iniciou o seu cultivo nos Estados Unidos. Em média (dados de 2008), as culturas transgénicas obrigaram a um uso de mais 26% quilos de pesticida por hectare do que as culturas não-transgénicas.

Para ler o documento basta clicar: "Impacts of Genetically Engineered Crops on Pesticide Use - The First Thirteen Years"

O folheto que irritou a Monsanto!

ACTUALIZAÇÃO EM AGOSTO DE 2009 - Depois de uma onda de controvérsia, a brochura foi recolocada online no site do Ministério da Agricultura brasileiro. Aparentemente a distribuição em papel também está a ser retomada. Uma coisa é certa: se a Monsanto pretendia abafar este documento, o que conseguiu foi uma enorme publicidade e divulgação para o mesmo, dentro e fora do Brasil. Bom trabalho!


Julho de 2009 - O Ministério da Agricultura brasileiro (que está longe de ser anti-OGM!) publicou uma brochura de divulgação da agricultura biológica onde tem duas frases simples, objectivas e pacíficas sobre transgénicos:

«O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza. Transgênicos são plantas e animais onde o homem coloca genes tomados de outras espécies.»

A empresa Monsanto ficou enfurecida e movimentou todas as suas influências. Conseguiu bloquear a distribuição do documento em papel e fez ainda que ele fosse retirado do site do Ministério da Agricultura brasileiro. Liberdade de expressão? Democracia? Nada de confusões. Esta empresa prefere a linha do pensamento único, obviamente traçada por eles.

Mas, enquanto a Monsanto não consegue fechar a democracia no mundo inteiro, aproveite para descarregar a brochura brasileira "O Olho do Consumidor"

Ghettos Agrícolas

A única maneira de evitar que as culturas transgénicas contaminem o resto, é — de acordo com os cientistas pagos pela União Europeia para estudar o assunto no âmbito do projecto Co-Extra — ghettizar a agricultura, segregando áreas com e sem transgénicos. Yves Bertheau, da instituição francesa de investigação agronómica INRA e colaborador do projecto, afirmou na sessão pública de apresentação dos resultados finais deste trabalho: "O pólen de algumas plantas pode chegar a 30 km de distância".

400 dos maiores especialistas mundiais arrasam os OGM

Quem não conhece o IPCC, o painel internacional sobre alterações climáticas, que ganhou o Prémio Nobel da Paz? O equivalente agrícola do IPCC chama-se IAASTD (International Assessment of Agricultural Science and Technology for Development) e durante quatro anos envolveu mais de 400 especialistas de todo o mundo num processo liderado por um alto funcionário do governo britânico a pedido do Banco Mundial, FAO e Organização Mundial de Saúde, entre outros.

Em Abril de 2008 o IAASTD publicou o seu relatório cujo objectivo era clarificar qual o futuro papel da agricultura e do conhecimento e tecnologias agrícolas face aos objectivos mundiais de redução da fome e pobreza, melhoria da vida rural e facilitação de um desenvolvimento ambiental, social e economicamente equilibrado. É a primeira vez que as instituições internacionais desenvolvem tal esforço de visão global e perspectivação do que deve ser a evolução da agricultura face aos desafios da Humanidade.

Em relação aos OGM o relatório do IAASTD - que já foi ratificado por cerca de 60 governos - considera-os incompatíveis com os métodos ecológicos e a produção de pequena escala, sendo que estes últimos oferecem as melhores hipóteses de solução integrada e devem ser objecto do máximo investimento por parte de países e agricultores.

Comité das Nações Unidas firme contra os OGM

Na sua sessão de 28 de Abril a 16 de Maio de 2008 o Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais do Conselho Económico e Social das Nações Unidas aprovou um conjunto de observações que incluem uma fortíssima crítica aos transgénicos e a exigência de que os agricultores sejam protegidos face às grandes empresas multinacionais. Especificamente no parágrafo 29 do documento é referido:

"O Comité está muito preocupado com o facto de que as extremas dificuldades por que passam os agricultores têm conduzido a um aumento dos suicídios ao longo da última década. O Comité está particularmente preocupado com o facto de que a extrema pobreza dos pequenos produtores causada pela falta de terras, falta de acesso ao crédito e falta de infrastruturas rurais adequadas, tenha sido exacerbada pela introdução de sementes geneticamente modificadas provenientes das empresas multinacionais, com a consequente subida nos preços das sementes, fertilizantes e pesticidas, sobretudo na cultura do algodão."

Clicar aqui para descarregar o documento em inglês.

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