Política

Holanda defende que cada país decida se quer cultivar transgénicos

2009/03/23 - Com o apoio de países como a França e a Alemanha, a Holanda propôs o que já pedia há muito: que cada estado membro possa decidir que transgénicos cultivar e que cultivos transgénicos proibir. Portugal (Ministro Jaime Silva), infelizmente, pôs-se do lado errado da barricada. A Comissão Europeia, que prefere impor transgénicos a eito, também está contra. Não percam os próximos episódios...
Para a notícia em inglês clicar aqui.

AGRICULTURA É O PRÓXIMO ALVO DA AUTORIDADE

2008/12/09 _ ASAE de braço dado com a indústria dos transgénicos


Quando se lê o Despacho 30186-A/2008 publicado no Diário da República de 21 de Novembro e se toma conhecimento da nomeação dos presidentes das Comissões Técnicas Especializadas que dão apoio ao Conselho Científico da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), não podemos deixar de ficar perplexos perante a nomeação da Doutora Margarida Oliveira, da Universidade Nova de Lisboa, para a comissão de avaliação de risco dos organismos geneticamente modificados...

Transgénicos? Não, obrigado!


UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS



Os alimentos transgénicos, ou plantas geneticamente modificadas, têm sido apresentados como solução para tudo: fome no mundo, alterações climáticas, agricultura química, doenças e subnutrição... Mas a verdade pode ser bem diferente, e as razões abaixo, entre outras, justificam a proibição pura e simples destes frutos da engenharia genética.size="3">


1. Os transgénicos não resolvem a crise alimentar

"A crise climática foi usada para promover os biocombustíveis, o que ajudou a criar a crise alimentar. E agora a crise alimentar está a ser usada para dar um novo fôlego à indústria da engenharia genética."*1
Daniel Howden, correspondente em África do jornal britânico The Independent

"O meu lado cínico acha que eles estão a usar a actual crise alimentar e energética como mola para impulsionar os transgénicos a nível político. Percebe-se porque é que o fazem, mas o problema é que essas alegações de que os transgénicos vão resolver os problemas da seca ou da fome no mundo não passam de palermice."*2
Prof Denis Murphy, Director de Biotecnologia da Universidade de Glamorgan, Reino Unido

size="1">

• Um relatório de 2008 do Banco Mundial*3 concluiu que a produção de biocombustíveis é responsável pela subida dos preços dos alimentos a nível mundial. A Monsanto, a maior multinacional dos transgénicos, tem estado na primeira linha a fazer pressão política a favor deste tipo de energia, que usa os alimentos para alimentar carros, e não pessoas. Ao mesmo tempo, enquanto a crise atingia o auge, a empresa conseguia lucros inimagináveis com a venda de sementes e pesticidas a preços inflacionados. Para 2008 a Monsanto já anunciou lucros líquidos de 11 mil milhões de dólares - em relação a 2007 isto representa um aumento de três mil milhões de dólares!*4 Para rematar, a mesma empresa tem defendido publicamente os (seus) transgénicos como solução para a crise alimentar que ajudou a criar.

O melhor discurso de 2008

O Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miguel d'Escoto Brockmann, falou no Encontro de Alto Nível relativo aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas, a 25 de Setembro de 2008, em Nova Iorque. Entre outros pontos, afirmou:

"O objectivo essencial da comida, que é de alimentar pessoas, foi subordinado aos interesses económicos de meia dúzia de empresas multinacionais que monopolizam todas as fases da produção alimentar, desde as sementes às grandes cadeias de distribuição, e elas têm sido as principais beneficiárias da crise alimentar mundial. Olhando para os números de 2007, que foi quando a crise começou, mostra que empresas como a Monsanto e a Cargill, que controlam o mercado dos cereais, tiveram subidas nos lucros da ordem dos 45% e 60%, respectivamente; as principais empresas de fertilizantes químicos, como a Mosaic Corporation, uma subsidiária da Cargill, duplicaram os seus lucros num único ano."

Origem da notícia aqui.

Discurso completo disponível aqui.

Alemanha: Países da UE devem poder proibir culturas transgénicas

O ministro da agricultura alemão, Horst Seehofer, afirmou a 3 de Setembro de 2008 que os Estados-Membros da União Europeia devem poder decidir sobre o cultivo de plantas transgénicas no seu território, deixando de estar debaixo das imposições da Comissão Europeia. Além disso é sua opinião que, dentro do país, essas decisões devem ser tomadas pelo poder local. E o nosso Ministro da Agricultura, porque pensa diferente?

A notícia em alemão está aqui.

Uma abordagem diferente


A ERA DA NATUREZA TRANSGÉNICA
Uma reflexão sobre a engenharia genética da vida

Não é um sacramento se a hóstia é transgénica.
A tradição fala de pão de cereal, não é consentida outra coisa.
Cardeal-arcebispo Tarcisio Bertone, de Génova

Vivi 16 anos nos Estados Unidos e comi de tudo, incluindo transgénicos.
[...] Quando se tem fome, não se pode ser esquisito.
Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz

Que nova tecnologia é esta que desperta atitudes tão diametralmente antagónicas no seio de altos dignitários da Igreja? A engenharia genética permite a manipulação da base molecular da vida - os genes - por forma a criar combinações inatingíveis pelos processos naturais que requerem compatibilidade reprodutiva. Actualmente existe já produção de milho com genes oriundos de bactérias (para resistir a insectos), arroz com genes humanos (para tratar a diarreia), levedura de pão com genes de peixe (para usar em gelados) e coelho com genes de medusa (para ficar fluorescente), entre muitos outros. O que é a vida, à luz das ferramentas de transformação da própria evolução?

Se o ridículo matasse...

... haveria menos governantes nalguns governos.

Numa sequência de mensagens de correio electrónico sobre transgénicos trocadas entre representantes do governo americano e a comissão europeia, o responsável americano reclamou sobre o facto de se estar a usar o termo 'OGM', pois considerou-o enganoso e capaz de induzir o público em erro. O homólogo europeu não reclamou: mudou para uma expressão neutra de forma a não ofender a sensibilidade transatlântica!
Veja abaixo os emails:

Procuram-se cientistas independentes

De acordo com um trabalho científico (disponível abaixo) publicado na revista Environmental Values (intitulado Scientistsʼ Perspectives on the Deliberate Release of GM Crops, de Kvakkestad e outros) caiu por terra o mito da independência intrínseca dos cientistas - pelo menos quanto à problemática dos transgénicos. O grupo de investigadores noruegueses verificou que a posição dos cientistas face aos OGM variava consoante a entidade a que estavam ligados ou a entidade de onde recebiam dinheiro para a sua investigação. Por exemplo, nenhum cientista financeiramente ligado à indústria via riscos específicos nos OGM, mas os cientistas que não recebiam dinheiro da indústria apresentavam em média posições mais críticas dos OGM. Conclusão: da próxima vez que ouvirem um cientista a defender os OGM, perguntem-lhe de que cor é o dinheiro que lhe passa pelo laboratório.

O sistema americano

O sistema europeu de aprovações de OGM tem buracos do tamanho dum camião TIR. Mas o sistema americano... nem sequer existe. Parece exagerado? Leia abaixo o artigo científico de Freese e Schubert e retire as suas próprias conclusões.

CNADS 2000 a 2005

O Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável publicou já dois pareceres sobre os Organismos Geneticamente Modificados. Ambos de leitura obrigatória!

Descarregue o de 2000 aqui.

Descarregue o de 2005 aqui.

Páginas

Subscribe to Política

Gostaria de nos apoiar?

FALE CONNOSCO