Cultivo de transgénicos

Cultivo comercial de milho transgénico em 2011

Dezembro de 2011 - O Ministério da Agricultura continua sem pressa e só recentemente divulgou a súmula dos cultivos de milho transgénico MON 810 em Portugal para a época agrícola de 2011. São estes os documentos oficiais por região e para o país todo:

Síntese Nacional
Região Norte
Região Centro
Região de Lisboa e Vale do Tejo
Região do Alentejo
Região Autónoma dos Açores

Vale a pena ver os gráficos com a evolução dos cultivos desde 2005.

Consulte também os dados parcelares dos anos anteriores:
2010
2009
2008
2007
2006
2005

Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal - I

Dezembro de 2010 - Agora que já foram divulgados os números oficiais relativos a 2010 sobre o cultivo de milho transgénico em Portugal, vale a pena olhar para as tendências e tentar perceber o que nos dizem. Note-se que todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais sobre transgénicos publicados pela Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura.

Vejamos o gráfico com a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal:
Fica claro que, pela primeira vez desde 2005, a área cultivada com transgénicos foi mais pequena este ano do que no ano passado. Também pela primeira vez uma região "desapareceu do mapa": em 2010 o Algarve deixou de ter cultivos transgénicos (entre 2007 e 2009, ao arrepio da vontade política da região, apenas a Herdade da Lameira, em Silves, tinha cultivado anualmente entre 40 e 50 hectares de milho transgénico).

O decréscimo referido também pode ser observado neste gráfico que mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Finalmente vale a pena olhar para este outro gráfico, que mostra a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Os valores da área total dedicada ao milho em Portugal (milho grão e milho para silagem) empregues neste cálculo são os disponibilizados pela Associação Nacional e Produtores de Milho e Sorgo em www.anpromis.pt]

Note-se que a área total de milho em Portugal baixou 2.8% de 2009 para 2010, pelo que seria de esperar que o cultivo de transgénicos pudesse igualmente sofrer alguma contracção. Mas acontece que a área com transgénicos desceu muito mais: houve 6.4% de decréscimo de 2009 para 2010. Ou seja, o peso dos transgénicos no contexto da produção global reduziu-se de 3.8% para 3.7%, o que demonstra um aumento real de desinteresse e abandono dos transgénicos.

O que é que todos estes números efectivamente mostram? Que, ao contrário do que muitos nos querem fazer crer, o cultivo de milho transgénico está a enquistar em Portugal em zonas residuais relativamente ao cultivo de milho em geral. E se o Ministério da Agricultura, em vez de promover uma tecnologia patenteada cujo lucro reverte directamente para multinacionais estrangeiras, desse atenção e apoiasse o desenvolvimento de processos e boas práticas capazes de resolver de forma ecológica e sustentável o problema da broca do milho, a adesão ao milho transgénico perderia qualquer interesse para os produtores portugueses.

Cultivo comercial de milho transgénico em 2010

Dezembro de 2010 - Embora normalmente o faça em Junho, o Ministério da Agricultura só recentemente divulgou a súmula dos cultivos de milho transgénico MON 810 em Portugal para a época agrícola de 2010. São estes os documentos oficiais por região e para o país todo:

Síntese Nacional
Região Norte
Região Centro
Região de Lisboa e Vale do Tejo
Região do Alentejo
Vale a pena ver os gráficos com a evolução dos cultivos desde 2005.
Consulte também os dados parcelares dos anos anteriores:
2009
2008
2007
2006
2005

A reacção à batata transgénica

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/10/05 - A contestação à batata Amflora não pára de crescer e já corre em tribunal. Em Maio a Hungria tinha dado entrada no Tribunal Europeu de Justiça do pedido de anulação da autorização. Desde então já quatro países se propuseram para co-queixosos: Áustria, Luxemburgo, França e, há poucos dias, a Polónia.


Pode ler aqui as justificações científicas para a queixa da Hungria, que incluem o facto de a Amflora possuir um gene de resistência a antibióticos de interesse terapêutico. O cultivo em grande escala desta planta pode conduzir ao aparecimento de bactérias resistentes o que se traduz em maiores dificuldades no tratamento das doenças que elas causem.

No caso da França foram publicados dois pareceres oficiais, um do ponto de vista científico e outro versando os aspectos éticos, económicos e sociais. Este último parecer refere que a aprovação da Amflora poderá ser ilegal pela simples razão de que não está contemplada na legislação europeia. Ou seja, em termos da alimentação humana a Amflora foi apenas aprovada como contaminante e não como alimento propriamente dito - algo que a lei não prevê. O parecer de índole científica menciona, entre outros aspectos, que os estudos apresentados sobre a Amflora têm um poder estatístico tão baixo que não permitem detectar impactos negativos, mesmo que eles existam. Ou seja, o comité não consegue concluir se a Amflora faz ou não mal à saúde com base nos dados existentes.

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/09/08 - Veja porque é que a BASF está a dar razão a todas estas contestações.

2010/06/18 - Desde que a Comissão Europeia deu luz verde à batata transgénica Amflora em Março deste ano, para fins de cultivo em solo europeu, as reacções não se fizeram esperar.

Primeiro o ministério da saúde austríaco anunciou que a Amflora ia ser proibida no país.

Depois várias associações europeias anunciaram que iam levar o dossier a tribunal, nomeadamente devido à presença na Amflora de um gene de resistência a antibióticos que, segundo a legislação em vigor, impediria automaticamente a sua aprovação.

Há dois dias foi a vez do Luxemburgo que, através do seu ministro da saúde, acabou de anunciar a proibição de cultivo da Amflora no seu país.

E hoje foi anunciado oficialmente pelo Ministério de Desenvolvimento Rural húngaro que a Amflora está igualmente proibida neste país, tanto para cultivo como para utilização industrial.

Más notícias para a Amflora da BASF, boas notícias para todos nós.

A BASF perdeu o controlo


2010/09/08 - O primeiro ano de cultivo da batata transgénica Amflora, aprovada sob grande contestação pela Comissão Europeia há poucos meses, tornou-se já um exemplo paradigmático da impossibilidade de manter o controlo e impedir que os transgénicos errados vão parar ao sítio errado.
Há dois dias atrás surgia a notícia de que estava a ser cultivada na Suécia desde Junho uma variedade de batata transgénica não autorizada. Essa variedade era a Amadea, também da BASF, que apareceu misturada num campo de batatas Amflora. A descoberta da quebra na biossegurança, aparentemente, foi das autoridades suecas e não da BASF, que é a responsável pelo terreno.
Ou seja, a própria BASF não conseguiu controlar e manter separadas as suas variedades transgénicas, e depois não soube sequer fazer os testes adequados para detectar a contaminação. A única explicação dada até agora por uma responsável da BASF foi de que "tinham enviado as batatas erradas para a Suécia".
Os outros dois países onde a Amflora está a ser cultivada são a República Checa e a Alemanha. Este último anunciou hoje a suspensão da colheita de Amflora no Estado de Mecklenburg-Vorpommern, onde a colheita tinha começado no dia 31 de Agosto com grande fanfarra e a presença de ministro.
Se a BASF consegue tamanha confusão nos primeiros seis meses, onde estaremos daqui a seis anos?

Aprovado ensaio com milho transgénico

Setembro de 2010 - A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) aprovou o pedido da Monsanto para iniciar este ano (num total de três anos) ensaios com milho transgénico NK603. Apenas foi autorizada uma das localizações pedidas - Monforte - onde decorrem já ensaios autorizados em anos anteriores. No entanto, muitos dos argumentos e questões técnicas levantados pela Plataforma Transgénicos Fora ficaram por responder por parte da APA. Em Portugal, este ano, decorrem ensaios em Monforte, Salvaterra de Magos, Évora e Ferreira do Alentejo.
Pode consultar no nosso site toda a informação e documentos sobre os ensaios experimentais no país.

Cronologia dos cultivos experimentais de transgénicos em Portugal

Abaixo pode consultar a lista dos ensaios com plantas transgénicas já solicitados para Portugal, assim como a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente quanto à sua autorização. Muitos destes documentos, nomeadamente os mais recentes, estão disponíveis para descarregar. Alguns dos pareceres da Plataforma Transgénicos Fora aparecem repetidos, uma vez que tratam várias notificações em conjunto.

Clique aqui para continuar a ler!

Batata transgénica Amflora aprovada pela Comissão Europeia

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/06/18 - Veja aqui as reacções a esta aprovação.



Um cientista da BASF observa batatas transgénicas da variedade Amflora

2010/03/02 - A Comissão Europeia aprovou hoje para cultivo, para uso industrial e para alimentação animal, a batata transgénica Amflora da BASF. Também é aprovada para a alimentação humana, mas apenas como contaminante e desde que não atinja os 0.9%. Este é o primeiro transgénico autorizado para cultivo na União Europeia desde 1998. A aprovação é controversa também pela forma como foi conduzida: em vez de ser discutido em plenário de todos os comissários, Durão Barroso optou por um processo "de secretaria" sem qualquer transparência em que apenas ele próprio e o Comissário Dalli (responsável nesta matéria) assinaram o documento - sem qualquer informação prévia aos restantes comissários ou aos Estados Membros.

Prémio Nobel Alternativo 2010: Transgénicos não são o caminho

2010/05/31 - Humberto Ríos Labrada, agrónomo cubano, é um dos seis vencedores em 2010 do Goldman Environmental Prize, vulgarmente conhecido como o Prémio Nobel Alternativo. Este cientista especializado em biodiversidade agrícola desenvolve há mais de uma década um trabalho de fundo em parceria com agricultores em numerosas comunidades cubanas - o que começou com 25 pessoas em três pequenas regiões agora abrange mais de 50 000 agricultores em todo o país e cerca de uma centena de investigadores.

O segredo? Uma abordagem participativa à biodiversidade agrícola, em que os lavradores trocam conhecimentos e sementes num contexto de controlo local dos factores de produção. O resultado? Em comunidades que antes produziam apenas algumas variedades de poucas espécies, produzem-se agora dezenas de variedades diferentes de múltiplas espécies. Não se usam pesticidas nem fertilizantes sintéticos e a mais valia nutricional aumentou substancialmente. Estes métodos, inicialmente ridicularizados, são agora ensinados nas universidades cubanas e fomentados oficialmente.

E quanto à utilização de transgénicos? Segundo Humberto Labrada, "Usar sementes transgénicas é um passo atrás, porque implica uma dependência de alguém exterior para produzir comida [...]". Ou seja, a diversificação na agricultura pode alimentar quem precisa, os transgénicos é que nem por isso.

Para ler a notícia original, basta clicar e descarregar: Diversity the Best Option for Cuban Farmers.

Bulgária proíbe culturas transgénicas

Março de 2010 - O Parlamento búlgaro aprovou uma lei que efectivamente proibe o cultivo de transgénicos no país. Durante os últimos meses houve múltiplas movimentações por parte da sociedade civil, incluindo agricultores, que forçaram o governo a desistir dos seus planos de abrir a agricultura nacional às sementes transgénicas.
A nova lei impõe a proibição de cultivo em todas as áreas protegidas e em grandes zonas tampão em torno dessas áreas e de quintas com agricultura biológica. Na prática o cultivo com transgénicos torna-se inviável. A batata Amflora também é especificamente proibida.
As multas podem chegar ao meio milhão de euros!

Notícia original: GM plants effectively banned by parliament as first GMO lab opens

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