Pesticidas

Glifosato: Autoridades infringem sistematicamente as regras

2017/08/01 - Tudo indica que nos próximos meses será tomada a decisão sobre a eventual renovação da licensa do glifosato a nível europeu. Este processo, que se arrasta há vários anos, recebeu parecer positivo por parte do Estado Membro relator (Alemanha), da EFSA (Agência Europeia de Segurança Alimentar) e da ECHA (Agência Europeia dos Produtos Químicos) - que anuiram quanto à natureza não carcinogénica deste herbicida. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por outro lado, classificou o glifosato em 2015 na categoria 2A, dando como provado que causa cancro em estudos com animais de laboratório e que (a nível humano) as evidências também apontam nesse sentido mas sem uma demonstração definitiva da relação causa-efeito.

Desde então o diferendo visível entre a OMS e a EFSA/ECHA tem vindo a ser analisado dos mais diversos ângulos, e já se podem retirar algumas ilações. A principal é que o relatório europeu é, na verdade, um documento preparado pela Glyphosate Task Force - uma estrutura da indústria - e anotado apenas pelo BfR (Bundesinstitut für Risikobewertung) alemão... de acordo com o próprio BfR. O conflito de interesses (a que não deve ser alheio o facto de a Comissão de Pesticidas do BfR incluir representantes da indústria) embutido neste trabalho é por demais evidente e isto por si só devia ser suficiente para rejeitar o documento e todo o processo subsequente que nele assentou.

A nível científico propriamente dito os pareceres da EFSA e da ECHA apresentam falhas profundas, que dificilmente poderão ser atribuídas à ingenuidade ou distração dos responsáveis envolvidos. A análise agora publicada demonstra que as duas agências chegaram à sua conclusão ignorando evidências, descartando estudos sem qualquer justificação e violando sistematicamente as diretrizes por que se deviam reger. Estas não são acusações levianas: os exemplos estão apresentados com todo o detalhe no documento. É difícil de acreditar que o falhanço institucional e humano tenha atingido tal dimensão até que se lê como tudo sucedeu, passo a passo. A situação é de tal ordem que, na sequência da publicação deste relatório, a ECHA já reconhece "desafios científicos", por exemplo "no que toca à estatística" - prometendo uma resposta detalhada durante este mês de agosto.

A verdade é simples: existem dados suficientes - provenientes dos estudos DA PRÓPRIA INDÚSTRIA - para concluir que o glifosato causa cancro. A grande questão é se os governos vão ter força suficiente para dizer NÃO a mais contaminação e doença.

Descarregue aqui o relatório - Glifosato: Autoridades infringem sistematicamente as regras

MAIS DE UM MILHÃO DE ASSINATURAS CONTRA O GLIFOSATO

2017/07/07 _ A mais rápida de todas as Iniciativas de Cidadania Europeia

Num período record de cinco meses mais de um milhão de pessoas, de todos os Estados Membros da União Europeia, assinaram a favor da proibição do herbicida glifosato. A Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE), que foi liderada em Portugal pela Plataforma Transgénicos Fora, exige também que o processo europeu de autorização de pesticidas seja profundamente melhorado e ainda que se estabeleçam metas obrigatórias para a redução do uso de pesticidas na União Europeia...

Iniciativa de Cidadania Europeia

O herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, e até ao final de 2017 a União Europeia tem de decidir: queremos que ele continue a ser aplicado na água, na comida, na cidade e nos campos? As multinacionais Monsanto, Bayer, etc. lutam com todo o seu dinheiro e influência para manter no mercado o herbicida mais vendido no mundo. Nós, consumidores, queremos o oposto! Neste momento já estão reunidas as assinaturas legalmente obrigatórias (um milhão), que já foram entregues às autoridades de verificação em cada Estado Membro. No entanto a recolha de assinaturas continua até ao final de 2017 com o intuito de criar o máximo de pressão política nas decisões europeias – por favor assine aqui! Juntos os europeus vão banir o glifosato.

Indústria 1 - Cidadãos 0, na mais recente avaliação sobre o glifosato

2017/03/15 - Desde que em 2015 a OMS - Organização Mundial de Saúde classificou o glifosato como sendo uma substância que "provavelmente" causa cancro em pessoas e que "demonstradamente" causa cancro em animais de laboratório o futuro na Europa do herbicida mais vendido no mundo (e em Portugal) tornou-se uma questão de intenso debate científico, social e político. Após anos de adiamentos, os Estados Membros e a Comissão Europeia deverão decidir em 2017 se reautorizam os herbicidas à base de glifosato, e por quanto tempo. Em cima da mesa estão os pareceres positivos do país relator (Alemanha), da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) e as sucessivas propostas da própria Comissão Europeia para que o herbicida seja aprovado (ver por exemplo aqui e aqui). Hoje, com o parecer da ECHA (Agência Europeia dos Produtos Químicos), também ele positivo, foi tornada pública uma das últimas peças deste puzzle...

HERBICIDA GLIFOSATO POSTO EM CAUSA POR INICIATIVA EUROPEIA DE CIDADÃOS

2017/02/08 _ Começa hoje a recolha de 1 milhão de assinaturas

Hoje dezenas de organizações não governamentais de toda a União Europeia, incluindo várias portuguesas, iniciaram a mobilização de cidadãos para banir o glifosato - mais conhecido como o herbicida Roundup da Monsanto. Em Portugal registam-se os níveis de contaminação humana mais elevados de toda a União Europeia, mais de um ano após a Organização Mundial de Saúde ter classificado este herbicida como "carcinogénio provável para o ser humano e carcinogénio provado para animais de laboratório". Por isso todos os portugueses têm particular interesse em aderir a esta ação...

O herbicida Roundup em doses mínimas causa doença do fígado

2017/01/09 - Um artigo científico publicado hoje revela que o Roundup causa fígado gordo não alcoólico (FGNA), uma doença do fígado que pode conduzir à cirrose hepática e que é a principal causa de doença hepática crónica em crianças. O Roundup, que está à venda em Portugal, é um herbicida à base de glifosato, uma substância ativa que foi classificada em 2015 pela Organização Mundial de Saúde como "causadora provável de cancro em humanos" e que contamina os portugueses em quantidades anormalmente elevadas. Nas experiências agora divulgadas, que duraram dois anos, o Roundup estava presente na água bebida pelos ratinhos de laboratório em concentrações ultrabaixas: a dose diária foi 75000 vezes menor do que o máximo permitido na União Europeia. E, mesmo assim, o Roundup teve consequências negativas para a saúde, sendo possível demonstrar a relação entre a presença do herbicida e o aparecimento da doença.

As experiências em ratos são normalmente utilizadas para identificar riscos para a saúde humana, e estas hoje apontam para a necessidade de reduzir drasticamente os níveis de herbicida considerados seguros a nível europeu. Estima-se que o FGNA atinja mais de um milhão de portugueses, o que o torna numa doença muito frequente no país. Embora a obesidade e diabetes sejam dos principais fatores de risco para aparecimento de FGNA, há pessoas que desenvolvem a doença mesmo sem sofrerem desses fatores de risco. A exposição a longo prazo ao herbicida Roundup, mesmo em quantidades ínfimas, pode ser a explicação.

A investigação foi liderada por Michael Antoniou, do King’s College London, no Reino Unido, e utilizou técnicas moleculares sofisticadas que permitem estabelecer uma relação causa-efeito entre a exposição de longo prazo ao Roundup e a degeneração hepática (que incluiu oxidação e morte celular).

GLIFOSATO: O HERBICIDA QUE CONTAMINA PORTUGAL

2016/04/29 _ Pela primeira vez há análises e revelam situação descontrolada

Análises realizadas pela Plataforma Transgénicos Fora em colaboração com o Detox Project evidenciaram níveis inesperados e absolutamente assombrosos de glifosato (mais conhecido por Roundup), o pesticida químico sintético mais usado na agricultura portuguesa – e até agora o mais ignorado. Há pelo menos dez anos que não se conhece qualquer análise oficial à sua presença em alimentos, solo, água, ar ou pessoas. Este vazio, inédito a nível europeu, é hoje preenchido parcialmente com os resultados das análises realizadas à urina de 26 voluntários portugueses e a algumas amostras de alimentos. Portugal tem agora de encontrar soluções a nível nacional e europeu que esclareçam as razões de tal contaminação humana e a reduzam em várias ordens de grandeza...

HERBICIDA DE SOJA TRANSGÉNICA PODE CAUSAR DEFEITOS DE NASCIMENTO

2010/09/24 _ Novos estudos científicos demonstram impactos negativos
Uma equipa internacional de cientistas conceituados publicou este mês um relatório sistematizando as provas acumuladas sobre os riscos ambientais e para a saúde humana do Roundup (o herbicida mais vendido no mundo) e respectivo cultivo de soja transgénica Roundup Ready (manipulada para receber a aplicação desse herbicida)...

O herbicida Roundup é MUITO pior do que se sabia

Setembro de 2010 - Os testes que servem de base à legislação que define os valores máximos de pesticidas no ambiente avaliam o impacto do químico na ausência de qualquer outro stress. Acontece que o herbicida Roundup (cujo princípio activo é o glifosato) pode ter um impacto negativo na vida aquática muito superior ao que esses testes revelaram. Na Nova Zelândia testaram o efeito do glifosato num peixe de água doce, tanto na presença como na ausência de um parasita frequente. Acontece que, quando o peixe está na presença dos dois factores (glifosato e parasita) o impacto total é muito superior ao impacto de cada factor em separado. Ou seja, o glifosato tem um efeito sinergístico e magnifica as consequências da presença do parasita. Podem retirar-se duas conclusões deste estudo: os valores máximos legais parecem ser demasiado permissivos para realmente protegerem o ambiente, e o Roundup/glifosato afinal tem um lado negro até aqui desconhecido. Considerando que este químico é aplicado em dezenas de milhar de hectares de culturas transgénicas, quem protege o ambiente?

Veja o artigo científico aqui: Synergistic Effects of Glyphosate Formulation and Parasite Infection on Fish Malformations and Survival.

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