Biocombustíveis

Inocência perdida

2010/10/31 - Longe vai o tempo em que as universidades eram financiadas apenas com dinheiros públicos e cumpriam o propósito de trabalhar para o bem comum, com independência e generosidade. As últimas décadas trouxeram-lhes uma infusão generalizada de financiamentos privados e, com eles, as respectivas influências e interesses especiais. É difícil acreditar que as instituições de ensino superior que dependem das grandes bolsas das multinacionais possam estar à vontade para se posicionar de forma crítica em relação à "mão que as alimenta" quando a tal pudessem sentir-se compelidas. A verdade é, para avaliar actualmente a ciência, não basta perguntar pelas credenciais de quem aproduziu mas também pelo nome de quem a financiou.

Foi agora publicado um relatório detalhado (Big Oil Goes to College) de mais um desenvolvimento que aponta o nível de interferência a que as universidades já se sujeitam. Trata-se de um conjunto de "parcerias de investigação" com somas que atingem as centenas de milhões de dólares e abrange uma dezena de universidades americanas de topo. Estas somas destinam-se em grande medida ao desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes de energia. A questão central é que os representantes da indústria têm assento e voto nos órgãos universitários que vão decidir a utilização dos fundos, e efectivamente vão poder conduzir e formatar o tipo de investigação a ser desenvolvido nestas áreas durante a próxima década, o que para todos os efeitos determina também aquilo que vai acabar por chegar ao mercado. Têm também em primeira mão o acesso às patentes obtidas. Para todos os efeitos, as universidades colocaram-se ao serviço da indústria.

Biocombustíveis = Roubo de terras + Fome

2010/06/29 - Hoje, na véspera da apresentação pelos Estados Membros dos seus planos para as energias renováveis, um conjunto de organizações não governamentais protestou em Bruxelas contra a utilização pela União Europeia de biocombustíveis que conduzem ao aumento da pobreza no mundo. A política europeia de utilização de biocombustíveis (supostamente para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa) está a trazer como consequência uma corrida desenfreada ao açambarcamento de terras em países menos desenvolvidos com vista à produção barata da biomassa necessária. O resultado, para as comunidades indígenas que vivem nessas regiões e dependem da terra para se alimentar, é a perda da sua base de subsistência e a generalização da fome.

O relatório que documenta este desastre em crescendo está disponível para descarregar: Meals per Gallon: The Impact of Industrial Biofuels on People and Global Hunger

Nova investigação confirma insustentabilidade dos biocombustíveis

2010/03/25 - Um novo estudo encomendado pela Comissão Europeia confirma que os objectivos europeus de consumo de biocombustíveis podem acarretar impactos ambientais negativos, como desflorestação, e exacerbar as alterações climáticas – precisamente o problema ambiental que eles eram supostos vir ajudar a resolver.

Neste trabalho conclui-se que os biocombustíveis empregues em transportes não devem ultrapassar 5.6% do total consumido. Qualquer valor acima disso representará um aumento rápido de emissões de gases com efeito de estufa e negará a vantagem ambiental desses mesmos biocombustíveis. No entanto a UE tem em vigor o objectivo de, até 2020, atingir os 10% de combustíveis renováveis... a maior parte dos quais serão biocombustíveis, visto que a introdução de carros eléctricos ainda vai no início.

O documento conclui igualmente que o perigo de alterações ao uso da terra em países menos desenvolvidos - em que floresta é queimada para produzir combustíveis "sustentáveis" - é uma ameça muito real e que deverá concretizar-se já a partir de 4.6% de consumo de biocombustíveis.

Para ler o trabalho basta clicar: Global Trade and Environmental Impact Study of the EU Biofuels Mandate

Verde demais para ser verdade


2010/03/15 - De acordo com um estudo publicado hoje pelos Friends of the Earth Europe, um dos principais fornecedores europeus de óleo de palma "sustentável", o IOI Group, está a conduzir à destruição de florestas e turfeiras na Indonésia para satisfazer a procura deste biocombustível. o IOI Group é membro fundador da Roundtable for Sustainable Palm Oil e inclui, entre os seus clientes, a Neste Oil e a Unilever. De acordo com um relatório das Nações Unidas, o crescimento desenfreado de plantações para produção de óleo de palma é actualmente o factor mais importante no desaparecimento da floresta tropical indonésia. Talvez não seja surpresa que o IOI Group está a pressionar activamente a Comissão Europeia para que essas plantações sejam reclassificadas como "floresta".

Aqui pode consultar o relatório dos Friends of the Earth Europe: Too Green to be True.

BIOCOMBUSTÍVEIS SÃO DESASTRE AMBIENTAL

Original em língua inglesa: aqui

PARA ALÉM DO ÓLEO DE COZINHA USADO, NÃO EXISTE BIOCOMBUSTÍVEL SUSTENTÁVEL
Acontece que a nova geração de biocombustíveis é mais um desastre ambiental

Por George Monbiot
Publicado no jornal GUARDIAN a 12 de Fevereiro de 2008

Pode ser que eles agora prestem atenção. Começaram por ignorar os ambientalistas e até os geólogos. Irão agora ignorar também os capitalistas?

BIOCOMBUSTÍVEIS, NÃO OBRIGADO!

Original em língua inglesa: Aqui

UMA SOLUÇÃO LETAL
Precisamos de uma moratória de cinco anos nos biocombustíveis, antes que eles destruam o planeta.

Por George Monbiot
Publicado no GUARDIAN em 27 de Março de 2007.

 

Até aqui era um caso de boas intenções mal dirigidas. Agora é simplesmente fraude. Os governos que usam biocombustíveis para lidar com o aquecimento global sabem que é pior a emenda que o soneto. Mas nem pestanejam.

Teoricamente, combustível feito a partir de plantas pode reduzir a quantidade de dióxido de carbono emitido por carros e camiões. As plantas absorvem carbono à medida que crescem – e ele é de novo libertado quando o combustível é queimado. Ao encorajar as companhias petrolíferas a mudar das plantas fósseis para as vivas, os governos dos dois lados do Atlântico proclamam estar a “descarbonizar” as nossas redes de transporte.

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