Riscos para a agricultura

EMPRESA BRITÂNICA PLANEIA LIBERTAR MOSCAS TRANSGÉNICAS EM ESPANHA

2015/07/27 _ Ensaio põe em risco biodiversidade e produção de azeite no Mediterrâneo
A empresa britânica Oxitec planeia libertar para o ambiente moscas da azeitona geneticamente modificadas (GM) em Espanha (Catalunha). Os insetos são geneticamente manipulados de forma a que as larvas fêmea morram no interior das azeitonas, ao passo que os machos sobrevivem. A Oxitec planeia libertar 5000 moscas GM por semana em Espanha, perto da cidade de Tarragona. O ensaio de campo, que se prevê durar um ano, irá abranger uma área de 1000 m2 coberta por rede...

TRANSGÉNICOS FORA DE CONTROLO EM TODO O MUNDO

2013/11/12 _ Contaminação da biodiversidade é caminho errado para o futuro 
Lisboa/Munique - É hoje divulgado o primeiro relatório global sobre o alastramento incontrolável da contaminação transgénica em espécies como o milho, arroz, algodão, colza e até um choupo e uma gramínea...

Agricultor explica porque abandonou cultivo de transgénicos

2012/07/21 - A revista The Organic and Non-GMO Report publica este mês uma entrevista com Wendel Lutz, um produtor americano que, após seis anos a cultivar soja transgénica, decidiu regressar à soja convencional. A desilução resultou sobretudo de dois fatores: - as infestantes tornaram-se resistente ao Roundup (normalmente este herbicida mataria as ervas sem danificar a soja transgénica, mas com o aparecimento de resistência o químico já não faz efeito) e teve de começar a usar concentrações cada vez maiores; - a produtividade da soja transgénica mais recente (Roundup Ready 2 Yield) era fraca. Agora que a sua colheita é garantida sem transgénicos recebe um prémio adicional de 1,90 dólares por alqueire. Quanto aos transgénicos, não lhe deixaram saudades.

Que mal é que fazem os OGM?...

A Agricultura Biológica nasceu no pós II Grande Guerra em resposta a uma questão semelhante: que mal fazem os químicos? Essa resposta teve o apoio dos factos – os comprovativos da nocividade de adubos e pesticidas químicos para a alimentação e a saúde humanas – e o apoio dos consumidores.

Após a crise petrolífera, a grande indústria agroalimentar viu na investigação genética a possibilidade de investimento exclusivo, pela sua tecnicidade e pela possibilidade de patentear os produtos. Aconteceu em 1982 ser “pela 1ª vez patenteado um ser vivo: um rato transgénico com tendência para desenvolver cancros” (Ar Livre nº10, p. 9). A que se sucederam inúmeras outras patentes e inúmeros “acidentes”, ocultação de informação pelas empresas produtoras e financiamento de grupos de pressão e de instituições académicas e políticas.

Mas, afinal, que mal é que fazem os transgénicos?

Apareceu nova praga devido ao cultivo de milho transgénico

2010/12/31 - Nos Estados Unidos, o milho geneticamente modificado do tipo Bt-Cry1Ab (que produz uma determinada toxina insecticida, como o MON 810 que é cultivado em Portugal) está a ser infestado por uma nova praga, o "western bean cutworm" (Striacosta albicosta), um tipo de lagarta-de-rosca. Os problemas começaram a ser observados no ano 2000. Historicamente esta lagarta estava confinada a regiões muito limitadas do Oeste americano e não tinha impacto significativo no milho. Mas na última década este insecto alastrou para o Iowa, Minnesota, Illinois, Missouri, Indiana e Wisconsin e já está a causar impacto económico. Em 2009 foi detectado pela primeira vez no Canadá.

De acordo com a literatura científica, trata-se de um exemplo de "substituição de pragas", algo que também se verifica na agricultura intensiva com forte uso de pesticidas. Ou seja, ao eliminar um insecto (por causa da produção de Bt na planta transgénica), fica livre um "nicho" que depois é ocupado por um insecto de outra espécie, um concorrente. Porque o milho transgénico está a ser cultivado em vastíssimas áreas do território americano, esta lagarta-de-rosca está a espalhar-se na mesma proporção. A lição? Algo do género "tapou-se um buraco para abrir outro maior..."

Para saber mais leia este relatório: New Pest in Crop Caused by Large Scale Cultivation of Bt Corn.

Brasil: o início da inversão de marcha?


2010/11/09 - Depois de há uns meses atrás ter sido divulgado que os sojicultores brasileiros recebiam mais dinheiro por cultivar soja não transgénica mas que, por outro lado, as multinacionais lhes estavam a limitar drasticamente o acesso a esse tipo de sementes, alguma coisa começou a mudar.
O programa Soja Livre, agora lançado pelo governo federal, vai garantir a disponibilidade de semente não transgénica para evitar o futuro já descrito por um dos maiores produtores brasileiros de soja: "Em poucos anos estaremos simplesmente ou totalmente nas mãos das multinacionais que hoje trabalham com biotecnologia".
Com esta medida o estado brasileiro de Mato Grosso, que produz quase 30% de toda a soja brasileira, poderá atingir o objectivo de disponibilizar cerca de 70% da sua produção em versão não transgénica.
Claro que tudo isto depende igualmente da procura (sobretudo europeia) de produtos animais sem rações transgénicas. Vale pois a pena pedir no seu supermercado que comece a identificar quais marcas usam e não usam transgénicos na produção da sua carne, ovos, leite e lacticínios.

Sementes: O monopólio global

2010/10/07 - Segundo investigação desenvolvida por um professor da universidade americana do Michigan e divulgada hoje pelo The Ecologist, mostra de forma visual como o comércio mundial de sementes foi objecto de monopolização em pouco mais de dez anos. A figura acima (clicar na imagem para ver uma ampliação) mostra todas as empresas que têm sido compradas ou são controladas por apenas oito mega-multinacionais, sendo Monsanto de longe a maior das maiores. O mercado global é efectivamente dominado por apenas três empresas: Monsanto, DuPont e Syngenta.

Tamanha consolidação e, em particular, tamanha aceleração nas últimas décadas, não podia deixar de acarretar consequências. As principais, segundo o artigo de Philip Howard, são: menor diversidade de sementes disponíveis (nomeadamente menos variedades de sementes não transgénicas), menos agricultores a guardar as suas próprias sementes, e redução do investimento em sementes livres (a pesquisa deslocou-se das universidades para as empresas, que se concentram nas sementes com "direitos de autor").

As tendências futuras não são optimistas. Na ausência de uma grande intervenção estatal, as aquisições de empresas vão continuar e o oligopólio vai acentuar-se. O que é que vai sobrar do nosso direito a semear é algo que continuará em aberto.

Transgénicos: Maior produtividade pode ser a ruína

ACTUALIZAÇÃO EM SETEMBRO DE 2010 - Leia mais um documento detalhado sobre a negra realidade dos cultivos transgénicos em África: The Dirty Politics of the Global Grain Trade - GM Maize Farmers Face Ruin in SA


2010/05/17 - É uma realidade profundamente irónica, e triste: maiores produções podem realmente trazer a ruína aos agricultores. Desde 1994, quando começaram a ser cultivados, que os transgénicos prometem maiores produtividades. Mas onde eles podem estar associados a maior abundância o resultado está à vista, e é o oposto do esperado. Na África do Sul os produtores têm este ano a melhor produção dos últimos 28 anos devido a uma conjunção de bons factores climatéricos e sementes melhoradas (algumas das quais transgénicas), mas o que resulta disso é um abaixamento generalizado de preços no mercado e não um aumento do lucro. A agricultura é muito mais complexa do que a escolha das sementes a usar.

Notícia original: Price of Success for S. Africa Corn Farmers Is Ruin

A BASF perdeu o controlo


2010/09/08 - O primeiro ano de cultivo da batata transgénica Amflora, aprovada sob grande contestação pela Comissão Europeia há poucos meses, tornou-se já um exemplo paradigmático da impossibilidade de manter o controlo e impedir que os transgénicos errados vão parar ao sítio errado.
Há dois dias atrás surgia a notícia de que estava a ser cultivada na Suécia desde Junho uma variedade de batata transgénica não autorizada. Essa variedade era a Amadea, também da BASF, que apareceu misturada num campo de batatas Amflora. A descoberta da quebra na biossegurança, aparentemente, foi das autoridades suecas e não da BASF, que é a responsável pelo terreno.
Ou seja, a própria BASF não conseguiu controlar e manter separadas as suas variedades transgénicas, e depois não soube sequer fazer os testes adequados para detectar a contaminação. A única explicação dada até agora por uma responsável da BASF foi de que "tinham enviado as batatas erradas para a Suécia".
Os outros dois países onde a Amflora está a ser cultivada são a República Checa e a Alemanha. Este último anunciou hoje a suspensão da colheita de Amflora no Estado de Mecklenburg-Vorpommern, onde a colheita tinha começado no dia 31 de Agosto com grande fanfarra e a presença de ministro.
Se a BASF consegue tamanha confusão nos primeiros seis meses, onde estaremos daqui a seis anos?

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