Início        Quem somos?        Contactos        Dedicatória         Pesquisa         Login         In English

Política

A Comissão e o conto do vigário

A Comissão e o conto do vigário


2010/07/13 - A Comissão Europeia (CE) tem estado num beco sem saída por não conseguir, por muito que tente, abrir as comportas para os transgénicos entrarem livremente na União - a tal ponto que optou agora por recorrer a opções "engenhosas" que tenta passar para a comunicação social como benesses oferecidas do alto da sua magnanimidade.

Hoje foi divulgada - e, para todos os efeitos, entrou em vigor - uma nova atitude da CE face aos transgénicos que promete genericamente o seguinte: ao contrário do que acontecia antes, em que todos os países tinham de aceitar o cultivo de transgénicos quando ele era aprovado a nível europeu, os Estados Membros podem agora anular essa aprovação para o respectivo território.

Esta renacionalização parece boa ideia, e tanto governos como ambientalistas deviam estar entusiasmados. Mas então porque é que não estão? O ministro francês da agricultura, por exemplo, mostrou-se completamente contra, afirmando que esta mudança leva as coisas "na direcção errada". A sua congénere espanhola partilha da mesma opinião. As razões do descontentamento são várias.

Primeiro há a questão do reverso da medalha. Esta "oferta" representa na verdade um negócio, em que os Estados Membros em troca têm de reconhecer à Comissão a legitimidade de aprovar todos os transgénicos que entender, seja para cultivo ou para importação.

         

A BASF perdeu o controlo


2010/09/08 - O primeiro ano de cultivo da batata transgénica Amflora, aprovada sob grande contestação pela Comissão Europeia há poucos meses, tornou-se já um exemplo paradigmático da impossibilidade de manter o controlo e impedir que os transgénicos errados vão parar ao sítio errado.
Há dois dias atrás surgia a notícia de que estava a ser cultivada na Suécia desde Junho uma variedade de batata transgénica não autorizada. Essa variedade era a Amadea, também da BASF, que apareceu misturada num campo de batatas Amflora. A descoberta da quebra na biossegurança, aparentemente, foi das autoridades suecas e não da BASF, que é a responsável pelo terreno.
Ou seja, a própria BASF não conseguiu controlar e manter separadas as suas variedades transgénicas, e depois não soube sequer fazer os testes adequados para detectar a contaminação. A única explicação dada até agora por uma responsável da BASF foi de que "tinham enviado as batatas erradas para a Suécia".
Os outros dois países onde a Amflora está a ser cultivada são a República Checa e a Alemanha. Este último anunciou hoje a suspensão da colheita de Amflora no Estado de Mecklenburg-Vorpommern, onde a colheita tinha começado no dia 31 de Agosto com grande fanfarra e a presença de ministro.
Se a BASF consegue tamanha confusão nos primeiros seis meses, onde estaremos daqui a seis anos?

         

Decisão histórica do Ministro da Agricultura!

ACTUALIZAÇÃO A 16 DE JULHO DE 2010 - A posição de recusa do arroz transgénico por parte do Ministro da Agricultura foi bem recebida pelas associações ligadas à agricultura e produção de arroz, nomeadamente do distrito de Setúbal, que a classificaram como uma "óptima notícia".

Ministro da Agricultura António Serrano


2010/07/14 - O Ministro António Serrano anunciou hoje que o governo irá votar em Bruxelas contra a aprovação do arroz transgénico LL62 da Bayer. A divulgação surge na sequência de reunião havida ontem entre o Ministro e a Plataforma Transgénicos Fora e após meses de campanha pública com vista à sensibilização daquele responsável.

As razões para esta posição política são sobretudo de duas índoles: segurança alimentar e concorrência económica. No tocante à primeira, segundo o ministro, o arroz transgénico "em muitas análises mostrou algumas fragilidades". E quanto à segunda o ministro acrescentou que o arroz transgénico concorre "diretamente com variedades portuguesas que queremos proteger, nomeadamente o arroz carolino". O ministro mostrou-se particularmente sensibilizado para o facto de que este transgénico é para consumo humano directo, ao contrário dos restantes transgénicos em circulação (que são essencialmente canalizados para as rações animais).

As razões da Plataforma Transgénicos Fora, essas, foram já apresentadas neste documento detalhado.

O ministro e o governo estão de parabéns!

         

Espanha: Activistas destroem campo de milho transgénico


2010/07/12 - Activistas espanhóis sabotaram hoje na Catalunha um campo experimental de milho transgénico pertencente à multinacional Syngenta. A acção não foi assumida por nenhuma associação ou entidade. Está disponível para ler ou descarregar o comunicado que foi divulgado.

         

A Monsanto na mó de baixo

Leite


2010/07/08 - A Monsanto "não fez farinha" com o Tribunal Europeu de Justiça. Na tentativa de proteger a patente da sua soja transgénica na Argentina - um dos maiores produtores mundiais de soja, quase toda da marca Monsanto, mas onde a patente não é reconhecida - a empresa tinha intentado um processo na União Europeia. No entanto o tribunal decidiu contra a Monsanto e a favor dos exportadores argentinos, determinando que a patente sobre o transgene só tem protecção válida para sementes viáveis, e não para farinha de soja (que era o tipo de importação que estava em causa). Segundo o raciocício do tribunal, uma vez que o transgene tem como função proteger contra a aplicação de herbicida e na fase de farinha já não se aplica herbicida nenhum, a patente já não se pode aplicar.

Mas as más notícias não acabaram aqui para a Monsanto. Também este mês, mas do outro lado do Atlântico, esta empresa foi condenada em 2,5 milhões de dólares por vender semente transgénica mal rotulada. A Monsanto admitiu culpa e não contestou a multa, que é a maior alguma vez decidida ao abrigo da legislação americana respectiva.

Nada disto pode ser inesperado, consideranto que a Monsanto é a multinacional menos ética do mundo.

         

Porque é que é a política, e não a engenharia genética, que pode alimentar o mundo

2010/07/02 - Quer entender porque é que os preços dos alimentos explodiram por todo o mundo em 2007? E porque é que desceram para níveis mais razoáveis a partir de 2008? Sabia que as razões não têm nada a ver com abaixamentos de produção, ou aumentos na procura? E que a fome aumentou avassaladoramente no terceiro mundo? E que tudo decorreu de decisões políticas específicas que abriram o mercado de futuros agrícolas à especulação bolsista desenfreada? E, finalmente, que para eliminar as questões de fundo que nos voltarão a trazer novos pesadelos deste género no futuro basta tomar as medidas políticas adequadas? Para conhecer os detalhes, não deixe de ler esta análise esclarecedora fundamental: How Goldman gambled on starvation

         

Peixes transgénicos à venda ilegalmente


2010/06/30 - Em Espanha foram descobertas duas espécies de peixes transgénicos que estão ilegalmente à venda desde 2004. Talvez ainda mais grave, esta descoberta foi feita por uma associação de vendedores de animais, e não pelo governo - já que não há qualquer tipo de fiscalização oficial para este tipo de transgénicos. Na União Europeia não está nenhum animal transgénico autorizado, pelo que estes peixes de aquário nunca poderiam ter entrado a fronteira comum. Os peixes foram manipulados para se tornar fluorescentes.
E em Portugal, quem (não) fiscaliza?

         

Supremo Tribunal americano toma decisão crucial

2010/06/21 - No primeiro caso de transgénicos a chegar ao Supremo Tribunal americano, a decisão final em Monsanto vs. Geerston Seed Farms estabelece jurisprudência fundamental para o futuro da engenharia genética naquele país. A história começou em 2005, com a decisão do Departamento de Agricultura do governo federal de autorizar (desregulamentar, para ser exacto) alfafa transgénica da Monsanto tolerante ao herbicida Roundup (também da Monsanto). Acontece que a legislação ambiental em vigor nos EUA (o National Environmental Policy Act) impõe a obrigatoriedade de realização de um estudo de impacto ambiental (EIA) detalhado antes da decisão de desregulamentar, estudo esse que não foi feito.

Um grupo de agricultores e associações foram para tribunal dizer isso mesmo e ganharam em 2007 na primeira instância e depois no recurso. Não só o governo foi considerado culpado de não ter cumprido a lei, como foi proibida a venda da alfafa transgénica e ainda qualquer desregulamentação parcial enquanto não fosse realizado o EIA.

Este ano o Supremo ouviu o recurso da Monsanto e hoje publicou o acórdão. Por um lado os juízes decidiram que os tribunais anteriores tinham excedido as suas competências e anulou as decisões que proibiam a venda da alfafa transgénica e a desregulamentação parcial antes do EIA ter sido terminado.

Por outro lado mantiveram a decisão de que o cultivo é ilegal até que o EIA tenha lugar. Ou seja, a alfafa transgénica continua a não poder ser usada enquanto o EIA não for feito... o que pode demorar vários anos. Também decidiram que, no caso de o governo tentar alguma desregulamentação parcial, o caso voltará a ser analisado em tribunal - e aparentemente o Departamento de Agricultura não faz tenções de ir por essa via.

Mas, talvez mais importante que tudo, o Supremo determinou que a consideração de impacto ambiental abarca impactos económicos, tal como a redução de produtividade agrícola ou a perda de mercados devido à contaminação por polinização cruzada. Estes fenómenos constituem, à luz do acórdão de hoje, um impacto negativo e ilegal. Esta nova interpretação da lei vai afectar claramente outros casos que estão nos tribunais, e traz novas responsabilidades às empresas da engenharia genética. Notícias excelentes, portanto.

Há numerosas notícias sobre este assunto na imprensa americana. Veja por exemplo esta: Monsanto v. Geerston Seed Farms: The Supreme Court Alfalfa Decision

         

Arroz: Quando até os defensores de transgénicos reconhecem que é melhor não manipular

Questão Difícil!2010/06/20 - ADIVINHA: Que investigador(a) bem conhecido pela sua defesa intransigente dos alimentos transgénicos é que vem entrevistado na revista Pública de hoje onde diz (assumindo que o artigo está fiel) que é preferível melhorar o arroz de forma convencional porque a engenharia genética seria uma inovação mal recebida?
A resposta está aqui.

         
Conteúdo sindicado