Alternativas

Greenfest - Que papel para as multinacionais?

A Campanha das Sementes Livres, que a Plataforma Transgénicos Fora tem vindo a apoiar, foi convidada a participar no Greenfest, que se anuncia como "o maior evento de sustentabilidade do país". No entanto, e face ao envolvimento na iniciativa de empresas com práticas profundamente insustentáveis, a Campanha decidiu não participar e explica porquê. Leia aqui a informação detalhada.

Mandioca: duas histórias

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/10/04 - Uma equipa de cientistas alemães e colombianos publicaram esta semana na revista The Plant Cell a descoberta de uma variedade natural de mandioca em que, graças a uma única mudança no código de um gene particular, se verifica uma elevada produção de beta-caroteno. Este novo dado irá ajudar a guiar novos esforços de melhoramento deste alimento essencial. O artigo está pode ser lido aqui: Provitamin A Accumulation in Cassava (Manihot esculenta) Roots Driven by a Single Nucleotide Polymorphism in a Phytoene Synthase Gene


Maio de 2010 - A farinha de raiz de mandioca (cassava) é um alimento fundamental para oitocentos milhões de pessoas, nomeadamente em África e na América Latina, mas embora seja muito nutritiva em termos calóricos apresenta vários problemas, como a baixa concentração de proteínas, vitaminas e minerais. Não é pois de admirar que a mandioca tenha sido alvo de esforços de melhoramento. Um deles envolve engenharia genética e foi anunciado em 2006. Neste caso investigadores da Ohio State University introduziram na mandioca um gene bacteriano que estimula a produção de amido (é cem vezes mais activo do que o gene natural presente na mandioca) e o resultado foi uma planta com mais folhas, mais raízes e raízes cerca de duas vezes e meia maiores que as normais. O perfil nutricional não muda, mas é possível obter mais comida de cada planta. O progresso foi anunciado como relevante para combater a fome no mundo.
Uma outra linha de intervenção agora divulgada foi desenvolvida por cientistas brasileiros que, sem engenharia genética, conseguiram mandioca com raízes 10 vezes maiores que as normais. Neste caso fizeram cruzamentos com a mandioca selvagem e assim conseguiram tirar partido das características que ela tem desenvolvido ao longo de milhões de anos. Esta abordagem clássica, segundo os investigadores, "é mais barata que a engenharia genética". Além do aumento de produtividade também conseguiram passar de 1.5% de proteína, que é o teor na mandioca típica, para 5% (o trigo, para comparação, tem cerca de 7% de proteína), e ainda aumentaram em cinquenta vezes o teor em beta-caroteno (um precursor da vitamina A). Conseguiram igualmente torná-la mais resistente à seca (cruzando-a com outras espécies de forma a produzir dois tipos de raízes, a comestível e uma mais penetrante que consegue usar água mais profunda) e a doenças.

Quem disse que a engenharia genética era necessária?

Dois estados indianos estão a converter-se totalmente à agricultura biológica

2010/05/18 - Se os transgénicos pudessem ajudar a acabar com a fome no mundo, então deveríamos estar a ver os países menos desenvolvidos a adoptar em massa tal tecnologia. Mas é o oposto que se verifica. Dois estados indianos, Sikkim e Kerala, estão a implementar progressivamente a conversão de toda a sua agricultura para modo biológico e planeiam atingir esse objectivo em poucos anos: 2015 para Sikkim e 2020 para Kerala. Em Portugal não existe qualquer plano comparável e a agricultura biológica ocupa apenas cerca de 4% da área agrícola.

A estratégia indiana foi adoptada porque "O governo [...] viu os impactos negativos dos fertilizantes sintéticos no solo, água e saúde humana [...]". Está também em preparação um esforço com vista à obtenção da autosuficiência na produção alimentar. Para além disto esperam-se consequências positivas para o turismo internacional. Num quadro destes os transgénicos são não só ilegais como impensáveis.

Pode ler a notícia original sobre Sikkim: Sikkim makes an organic shift, e sobre Kerala: 30,000 ha to come under organic farming in Kerala.

Agricultura biológica pode alimentar o mundo

Junho de 2007 - Ao contrário do que é costumeiro ouvir-se, a agricultura biológica pode de facto alimentar o mundo. Num estudo abrangente que avaliou 293 artigos publicados nesta área foi possível verificar que o modo de produção biológico consegue produzir todo o alimento necessário à humanidade sem ser preciso aumentar a área cultivada. Uma outra conclusão deste artigo científico refere que é possível, através do recurso a leguminosas que fixam azoto, deixar de usar os fertilizantes sintéticos actualmente aplicados. Claro que a maior vantagem de uma mudança destas, para além de proporcionar alimentos mais saudáveis a todos, seria o facto de eliminar em grande medida o gigantesco impacto ambiental da produção agrícola convencional.

Pode descarregar o texto integral do estudo: Organic Agriculture and the Global Food Supply

Campos de golfe: Açores lança revolução

Ponta Delgada, 1 de ABRIL de 2007

Nos Açores, em Santa Maria, vai nascer o mais revolucionário Campo de Golfe do mundo

Desde há muito que a Secretaria da Economia anunciava a intenção de dotar a ilha de Santa Maria com um Campo de Golfe, e chegou a ser encomendado à SGS o Estudo de Impacte Ambiental.

A Quercus estranhou que esta iniciativa pudesse ser viável porque esta ilha mal tem água disponível para os seus 6 mil habitantes, quanto mais para se poder dar ao luxo de ter um Campo de Golfe que em termos hídricos representa o equivalente a 60 mil habitantes.

TB - O triunfo da biodiversidade

No pólo oposto do milho Bt, transgénico, poluente e exterminador da diversidade agrícola, existe agora o milho TB. Neste caso a sigla significa 'Triunfo da Biodiversidade' e, como podem verificar pela espiga da foto ao lado, é uma explosão de diversidade, adaptação e verdadeiro vigor. Este resultado foi obtido por um agricultor da zona do Cadaval para quem segurança alimentar não se confunde com a busca cega da produtividade.

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