Riscos para o ambiente

EMPRESA BRITÂNICA PLANEIA LIBERTAR MOSCAS TRANSGÉNICAS EM ESPANHA

2015/07/27 _ Ensaio põe em risco biodiversidade e produção de azeite no Mediterrâneo
A empresa britânica Oxitec planeia libertar para o ambiente moscas da azeitona geneticamente modificadas (GM) em Espanha (Catalunha). Os insetos são geneticamente manipulados de forma a que as larvas fêmea morram no interior das azeitonas, ao passo que os machos sobrevivem. A Oxitec planeia libertar 5000 moscas GM por semana em Espanha, perto da cidade de Tarragona. O ensaio de campo, que se prevê durar um ano, irá abranger uma área de 1000 m2 coberta por rede...

Há quem diga que o debate sobre a segurança dos OGM está encerrado. Estará?

Desde que foi publicado em 2012 o artigo de revisão de Snell, Ricroch e colaboradores tem vindo a ser apresentado como definitivo no que toca à demonstração de que os alimentos transgénicos são seguros. A própria Agnès Ricroch, investigadora do instituto francês AgroParisTech e coordenadora deste estudo, afirmou taxativamente que os transgénicos eram inócuos e o debate estava encerrado. Mas alguém acredita que seja possível, por exemplo, concluir que todos os medicamentos são seguros – mesmo os que ainda não foram comercializados – só porque se reuniu uma série de estudos que olharam para alguns aspetos de alguns medicamentos e não encontraram nada? Seria uma atitudo pouco científica e muito dogmática.

TRANSGÉNICOS FORA DE CONTROLO EM TODO O MUNDO

2013/11/12 _ Contaminação da biodiversidade é caminho errado para o futuro 
Lisboa/Munique - É hoje divulgado o primeiro relatório global sobre o alastramento incontrolável da contaminação transgénica em espécies como o milho, arroz, algodão, colza e até um choupo e uma gramínea...

Suíça: As plantas geneticamente modificadas não podem ser consideradas seguras

2011/12/12 - Em 2005 os Suíços aprovaram em referendo uma moratória que suspendeu o cultivo de transgénicos durante cinco anos. Posteriormente essa moratória foi alargada até Novembro de 2013. Hoje, a Comissão Federal de Ética para a Biotecnologia Não-Humana publicou um relatório que estabelece os requisitos éticos que deverão nortear a comercialização de transgénicos no futuro.

Neste documento a Comissão reconhece que as plantas transgénicas são mais do que a mera soma "planta + transgene", isto é, as plantas geneticamente modificadas podem apresentar características inesperadas e como tal existe sempre um déficit de informação quanto aos verdadeiros riscos para a saúde e o ambiente. Ou seja, não se pode ter a certeza de que as plantas transgénicas sejam seguras.

Ainda segundo este relatório as empresas que desenvolvem os transgénicos têm atualmente "uma posição de monopólio" que impede a investigação independente dos reais impactos dos transgénicos e sugere a criação de legislação que obrigue essas empresas a disponibilizar o material aos cientístas interessados.

Finalmente a Comissão sublinha também que é função do Estado garantir a continução do direito à escolha, ou seja, do direito a não consumir transgénicos. Por outro lado, lembram, o Estado não tem a obrigação de garantir o direito a comer transgénicos, uma vez que estes não são estritamente necessários a nenhum consumidor.

Transferência Inesperada de Genes

2010/10/27 - Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, descobriram uma via até agora desconhecida através da qual os transgenes podem escapar para o ambiente. Quando estudavam interacções entre certas bactérias, fungos e plantas, em zonas onde a planta tem alguma ferida superficial, a equipa encontrou um processo, mediado por uma hormona da própria planta, que leva a que genes da planta sejam levados pela bactéria para o fungo. Quando a planta é transgénica, os transgenes podem naturalmente passar também e, assim, espalhar-se por mecanismos até agora não-equacionados e com riscos por enquanto desconhecidos.

Segundo Gary Foster, um dos autores da investigação, "este trabalho sugere que o encontro entre esta bactéria e um fungo na superfície da planta pode levar ao fluxo genético de uma forma inesperada, levando potencialmente à libertação de transgenes no ambiente natural." Com a publicação deste artigo, Investigating Agrobacterium-Mediated Transformation of Verticillium albo-atrum on Plant Surfaces, não pode mais ignorar-se esta via de contaminação ambiental e todas as avaliações de impacto de transgénicos no ambiente terão de estudar o risco a ela associado.

O totobola dos transgénicos

Setembro de 2010 - A ciência, com todas as suas limitações, ainda assim não pára de acumular provas da instabilidade e imprevisibilidade das plantas transgénicas. Já se sabia que, quando as variedades transgénicas são criadas, se usam as variedades convencionais topo de gama como ponto de partida, e que portanto o aparente aumento de produtividade se deve de facto ao vigor dessas linhagens convencionais. Também se sabe que ao fim de algum tempo se instala a resistência, tanto em ervas daninhas como em insectos.

E agora cientistas suíços publicaram um trabalho que acrescenta mais alguns dados muito importantes. O que eles verificaram foi que, quando diferentes variedades transgénicas (de trigo, neste caso) com bons resultados em estufa eram cultivadas em campo aberto, tudo podia acontecer: quebras de produtividade (até 56%!) e maior susceptibilidade à doença (até 40 vezes mais!) foram os resultados mais dramáticos. Também encontraram uma quebra geral de vigor e maior vulnerabilidade aos stresses ambientais, para além de alterações na morfologia.

O que estes resultados mostram é que o processo de manipulação genética afectou profundamente a constituição da planta, de formas que só se tornam visíveis quando determinadas condições estão reunidas. Ou seja, um transgénico pode ter um comportamento relativamente normal... até ao dia em que muda um qualquer factor ambiental e a produtividade (ou outro aspecto importante) colapsa ou se torna deficiente.

Como é que podemos colocar a futura subsistência alimentar da espécie humana a depender de plantas com comportamento tão aleatório? Como é que podemos continuar a aprovar transgénicos para cultivo sem os sujeitar a pelo menos alguns testes de stress?

Eis o artigo científico respectivo: Transgene x Environment Interactions in Genetically Modified Wheat.

O herbicida Roundup é MUITO pior do que se sabia

Setembro de 2010 - Os testes que servem de base à legislação que define os valores máximos de pesticidas no ambiente avaliam o impacto do químico na ausência de qualquer outro stress. Acontece que o herbicida Roundup (cujo princípio activo é o glifosato) pode ter um impacto negativo na vida aquática muito superior ao que esses testes revelaram. Na Nova Zelândia testaram o efeito do glifosato num peixe de água doce, tanto na presença como na ausência de um parasita frequente. Acontece que, quando o peixe está na presença dos dois factores (glifosato e parasita) o impacto total é muito superior ao impacto de cada factor em separado. Ou seja, o glifosato tem um efeito sinergístico e magnifica as consequências da presença do parasita. Podem retirar-se duas conclusões deste estudo: os valores máximos legais parecem ser demasiado permissivos para realmente protegerem o ambiente, e o Roundup/glifosato afinal tem um lado negro até aqui desconhecido. Considerando que este químico é aplicado em dezenas de milhar de hectares de culturas transgénicas, quem protege o ambiente?

Veja o artigo científico aqui: Synergistic Effects of Glyphosate Formulation and Parasite Infection on Fish Malformations and Survival.

43 proteínas!


Setembro 2010 - Quem não ouviu já dizer que os transgénicos são iguais à planta original mais uma única proteína, a transgénica? Pois bem, nada poderia estar mais longe da verdade. Um trabalho realizado por equipas de duas universidade italianas revelou que, no caso do milho transgénico MON 810 (o mesmo que é cultivado em Portugal), a manipulação genética introduz uma profusão de alterações, para além de acrescentar a proteína nova propriamente dita. Foram detectadas mudanças nos níveis de expressão de 43 proteínas! Estas alterações - totalmente inesperadas - são atribuídas pelos cientistas ao processo de introdução do transgene. Um pouco como uma bomba atira estilhaços, também a entrada do transgene cria interferências em muitos outros pontos do genoma. Isto não prova que este transgénico represente um risco para a saúde, note-se, mas certamente prova que é claramente diferente da variedade de controlo. E isso é precisamente o que a indústria e a EFSA (Autoridade Europeia de Segurança Alimentar) se recusam a admitir.

Eis o artigo: Proteomics as a Complementary Tool for Identifying Unintended Side Effects Occurring in Transgenic Maize Seeds As a Result of Genetic Modifications.

Colza: A invasão

2010/08/06 - Foram hoje apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Ecologia os resultados de um trabalho de investigação relativo ao aparecimento de colza (um tipo de couve) transgénica em zonas não cultivadas. Os cientistas percorreram cerca de 5 mil quilómetros de estradas no estado do Dakota do Norte e a cada oito quilómetros recolheram amostras das ervas em estado selvagem que encontraram. Quarenta e seis por cento dessas amostras continham colza e, dentro das que continham colza, 80% continham colza transgénica. Esta colza GM era sobretudo de variedades da Monsanto, havendo também da Bayer. O mais interessante neste estudo foi o facto de terem sido encontradas plantas duplamente resistentes: com um transgene para o herbicida da Monsanto e outro para o da Bayer – algo que não existe no mercado.

O que significam estes resultados?

Primeiro, que a colza transgénica sobrevive bem sem a ajuda de ninguém: foram encontradas plantas na beira das estradas e terrenos agrícolas abandonados, mas também em estações de serviço, cemitérios, campos de bola e muitas outras zonas a grande distância de qualquer campo de colza.

Segundo, a colza transgénica não só sobrevive como se instala com à vontade e, ao longo de várias gerações, espalha os seus transgenes - só isso explica o aparecimento de plantas duplamente resistentes. E outras espécies selvagens "primas" da colza podem facilmente adquirir estes transgenes.

Terceiro, estas plantas já não podem ser combatidas pelos herbicidas mais usados, o que as pode transformar em invasoras agrícolas de difícil controlo.

Quarto, o nível de contaminação generalizada encontrado mostra que a regulamentação americana que é suposta evitar tal fenómeno não está a funcionar ou é muito insuficiente.

Quinto, ninguém sabe o que é que a introdução destes transgenes vai implicar ou alterar no equilíbrio dos ecossistemas onde aparecerem. E os ecossistemas já estão, em geral, tão stressados, que qualquer novo stress pode ser a gota de água.

E sexto, a indústria enganou-se. Segundo, por exemplo, o Dr Julian Little, do lobby pró-transgénicos Agricultural Biotechnology Council, "As plantas transgénicas são produções humanas e quando toca a competir com as suas homólogas selvagens não se dão nada bem". Este estudo, que encontrou comunidades bem instaladas de colza transgénica, vem demonstrar o contrário.

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