Cultivo de transgénicos

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Ver os gráficos com a evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal desde 2005
Ver os gráficos com a evolução do cultivo de transgénicos na União Europeia


Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal - IV

Março de 2016 - Se a história recente do cultivo de milho transgénico em Portugal for um bom indicador, 2016 não vai ser um ano feliz para as empresas da engenharia genética - pelo menos no nosso país. O gráfico abaixo (todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais publicados pelo Ministério da Agricultura) mostra a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal (se clicar nas imagens pode vê-las em tamanho maior):

Nos últimos cinco anos a produção de milho transgénico estabilizou e até baixou ligeiramente de 2014 para 2015, apresentando na prática apenas pequenas variações em torno dos oito mil hectares. Este valor está muito aquém dos 126 mil hectares de milho (total de convencional e transgénico, para grão e silagem) que, no global, foram cultivados em Portugal em 2015. Se alguém esperava que os OGM se iriam tornar um sucesso em Portugal, esse alguém já deve ter desesperado.

O próximo gráfico mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Enquanto que em 2007 se tinha verificado um aumento muito visível na área cultivada, desde então as variações têm sido muito mais modestas e, no que toca a 2010, 2013 e 2015, negativas (visto ter havido redução da área cultivada relativamente ao ano anterior). Mesmo a subida de 59% em 2011 está muito longe dos 235% registados em 2007. Claramente estamos longe de uma adesão em crescendo.

Neste outro gráfico pode ver-se a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Todos os valores da área total dedicada ao milho em Portugal (milho grão e milho para silagem) empregues neste cálculo foram obtidos junto da Anpromis - Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo]

Aqui percebe-se que a redução do cultivo de milho GM em 2015 se deveu a uma contração geral do cultivo de milho em Portugal. Ou seja, a proporção de milho GM para milho convencional manteve-se estável e nos 6%. Este valor tão baixo é sinónimo da pouca mais valia agrícola que os produtores portugueses conseguem retirar desta tecnologia.

Finalmente temos abaixo um gráfico com a evolução do cultivo de milho transgénico por região agrícola. Na Madeira nunca houve cultivo e nos Açores esse cultivo só aconteceu nos anos de 2011 e 2012. No Algarve o milho transgénico cultivou-se pela última vez em 2013. A quebra registada em 2015 deveu-se essencialmente ao Alentejo, que perdeu mais de 500 hectares em relação a 2014. A região Centro foi a única em que se verificou aumento na produção entre 2014 e 2015 - todas as outras perderam. A mais interessante de todas é a zona Norte: em 2009 atingiu o seu pico (298 hectares e 69 registos de cultivo) e desde então a área abrangido tem vindo a descer todos os anos - em 2015 já só apresentou 59.8 hectares e 9 registos de cultivo (7 em Vila do Conde, um em Barcelos e um em Monção). Nesta região a extinção transgénica parece inevitável.

AGRICULTURA SEM TRANSGÉNICOS: GOVERNO PERDE O COMBOIO DA EUROPA

2015-10-02 _ Prazo termina amanhã, 3 de outubro
A França, o maior produtor europeu de milho, notificou a Comissão Europeia da sua intenção de banir o cultivo de culturas transgénicas à luz das novas regras da União Europeia. A Diretiva 2015/412, de Março deste ano, veio criar a possibilidade de cada Estado Membro restringir ou proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM) no seu território. Juntamente com a França, também a Alemanha, a Áustria, a Bulgária, Chipre, a Croácia, a Dinamarca, a Eslovénia, a Grécia, a Holanda, a Hungria, a Itália, a Letónia, a Lituânia, a Polónia, e ainda algumas regiões administrativas (Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e Valónia), anunciaram já a sua intenção de banir o cultivo OGM...

Mapa dos cultivos de milho transgénico em Portugal

Nesta página pode conhecer onde se cultivam transgénicos em Portugal, e quem os cultiva. Basta clicar no mapa para um concelho em particular, ou escolher o nome respetivo no menu abaixo. Na lista de resultados pode clicar em cada registo individual para aceder à informação completa. Embora haja cultivos continuamente desde 2005, neste momento estão apenas disponíveis os anos de 2013 e 2014. Mais abaixo pode também fazer uma busca em todos os campos de cada registo individual disponível. Em qualquer caso pode depois descarregar a lista de registos que obtiver.

DIVULGADO O MAPA PORTUGUÊS DOS CULTIVOS COMERCIAIS DE MILHO TRANSGÉNICO

2015/05/07 _ Pela primeira vez em dez anos é possível conhecer localizações 
A Plataforma Transgénicos Fora disponibiliza hoje online o mapa com a identificação e a localização dos campos onde se cultiva milho transgénico em Portugal. O Ministério da Agricultura recolhe anualmente esta informação desde que se iniciou o cultivo continuado de OGM mas só divulga dados muito incompletos e tem vedado o acesso do público às localizações exatas dos terrenos: foram precisas 5 ações em tribunal para obter os dados completos de 2005 até 2014...

França e Itália: dois grandes produtores de cereais, duas proibições ao cultivo de milho transgénico

 

2014/04/15 - Segundo um despacho da agência Reuters de hoje, a câmara baixa do Parlamento francês aprovou uma lei que proibe o cultivo de toda e qualquer variedade de milho geneticamente modificado em solo nacional devido aos seus impactos ambientais. Esta decisão vem na sequência de um decreto governamental publicado há cerca de dois meses e que suspendia temporariamente esses cultivos. Em Itália a proibição do milho transgénico MON 810 já vem de 2013 e conta com um apoio massivo de 80% da população, mas foi recentemente reforçada por um tribunal regional italiano. Note-se que a França e a Itália são, respetivamente, o 6º e 8º maior produtor mundial de milho, o que mostra a importância do cultivo deste cereal nesses países. E se eles, que levam o cultivo de milho a sério, proibem as variedades transgénicas, Portugal faria bem em pensar duas vezes antes de continuar a cultivar qual beco sem saíde.

Evolução do cultivo de transgénicos na União Europeia - I

O cultivo de transgénicos (milho e batata) na União Europeia desde a primeira autorização comunitária de 2004 (se clicar na imagem pode vê-la em tamanho maior).

A área cultivada com transgénicos em 2011 apresenta uma subida de cerca de 32 mil hectares em relação ao ano anterior. Esse aumento provém de dois países: Espanha, com uma subida de 29 mil hectares, e Portugal, em que o aumento foi de 3 mil hectares. Nos outros países - no total são apenas seis países que cultivam milho (Espanha, Portugal, Eslovénia, Roménia e República Checa; na Polónia também parece haver cultivo, mas potencialmente ilegal) - o cultivo estagnou e apresenta apenas ligeiras flutuações. No total a área cultivada na União Europeia é mínima: apenas 0,06% da área agrícola na UE está dedicada aos transgénicos. Entrentanto há seis países que continuam com proibições formais de cultivo: França, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Luxemburgo). Em 2010 começou na União Europeia o cultivo da batata Amflora, mas em 2011 a Amflora só foi produzida em 2 hectares na Alemanha e em 16 ha na Suécia. O futuro dirá se este aumento em 2011, o primeiro desde que o cultivo começou em 2005, se vai acentuar ou se não passou de um soluço. Está aqui disponível a fonte dos dados de 2009 a 2011. Pode consultar também a análise feita em 2009.

Cultivo mundial de transgénicos: divulgados dados de 2011

2012/02/07 - Foram hoje anunciados os dados do ISAAA relativos ao cultivo de transgénicos em 2011, e vale a pena fazer o ponto da situação.


O mapa dos cultivos de transgénicos a nível mundial, preparado pelo jornal The Guardian com base nos números da indústria hoje apresentados (se clicar na imagem pode vê-la em tamanho maior).

O ISAAA é uma entidade financiada pela indústria, incluindo empresas como a Monsanto, a Bayer e a CropLife International. Em geral o estilo do relatório é um pouco diferente dos de anos anteriores: neste as promessas são remetidas para um futuro mais distante e as verdades inconvenientes são liminarmente ignoradas (como o anúncio pela BASF de que ia abandonar o mercado dos transgénicos na União Europeia, ou a impossibilidade de ver, até agora, a beringela transgénica aprovada na Índia e o arroz transgénico aprovado na China). Noutros casos, é referida apenas a parte que interessa: descreve-se a decisão do tribunal onde se determinou que a decisão de proibir o cultivo de milho transgénico em França era irregular e estava anulada, mas nada é dito sobre o facto de que o governo francês já iniciou novo processo de proibição.

O ilusionismo matemático, por outro lado, é uma constante ao longo dos anos nestes relatórios. Por exemplo, os dois (DOIS!) hectares de batata transgénica na Alemanha são apresentados na principal tabela e imagem deste relatório como "

Além disso, segundo organizações como a Greenpeace e a Food and Water Europe, o ISAAA usa de grande criatividade nos seus números: se um hectare estiver cultivado com uma planta que tem três transgenes, esse hectare entra para as contas como sendo TRÊS hectares.

Algumas afirmações do relatório são passadas como pertencendo ao domínio da realidade sólida quando na verdade ainda existem apenas no mundo da ficção científica. Por exemplo, na página 16 o relatório afirma, entre outros, que "os transgénicos conseguem ultrapassar stresses abióticos (através de tolerência à seca e salinidade)", mas a realidade é que não está comercializado, EM PAÍS ALGUM DO MUNDO, qualquer transgénico com alguma destas características.

E há alturas em que o relatório simplesmente... mente: na página 21 afirma que "o melhoramento convencional de batata é muito caro tanto em tempo como em recursos e, por si só, não conseguiu nem vai conseguir obter resistência durável ao míldio", mas são bem conhecidas as batatas Sárpos, precisamente por serem obtidas por melhoramento convencional e terem a necessária resistência o míldio, entre outras vantagens.

Que conclusões globais podem ser razoavelmente retiradas dos dados apresentados?
- Que a área total de cultivo continua a aumentar, embora provavelmente a uma velocidade menor do que a publicada;
- Que as características transgénicas cultivadas no mundo continuam a ser essencialmente duas: tolerância a herbicidas e resistência a insetos, muito embora muitas outras promessas venham a ser feitas há anos;
- Que o cultivo está profundamente concentrado: 7 países apenas cultivam 94% de todos os transgénicos (e só os Estados Unidos cultivam 43% da área total);
- Que a área cultivada na União Europeia é mínima: apenas 0,06% da área agrícola na UE está dedicada aos transgénicos (a Espanha é o único país com uma área significativa e há seis países com proibições de cultivo - França, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Luxemburgo);
- Que a área cultivada no mundo com transgénicos, apesar de elevada, não ultrapassa os 3% da área agrícola: 97% da agricultura mundial continua livre de transgénicos (segundo a FAO, a área agrícola total é de 4,9 mil milhões de hectares).

Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal - II

Dezembro de 2011 - Foram finalmente divulgados os dados oficiais relativos a 2011 sobre o cultivo de milho transgénico em Portugal, e a partir daí pode analisar-se a evolução portuguesa ao longo dos últimos anos.

O gráfico abaixo (todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais publicados pelo Ministério da Agricultura) mostra a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal (se clicar nas imagens pode vê-las em tamanho maior):

Relativamente a 2010 houve um aumento de cerca de 2900 hectares, o que corresponde a 2% do total da área cultivada com todo o tipo de milho em Portugal. Este aumento não foi homogéneo: enquanto que a área cultivada com transgénicos diminuiu ligeiramente no Norte e no Centro, ela aumentou bastante na região de Lisboa/Vale do Tejo e no Alentejo. Esta última região verificou a subida mais significativa: cerca de 2100 hectares de área adicional.

A região do Algarve continua sem transgénicos pelo segundo ano consecutivo mas os Açores entraram pela primeira vez no mapa dos cultivos, com uma área mínima: dois hectares e meio.

O próximo gráfico mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Enquanto que em 2007 se tinha verificado um aumento muito visível na área cultivada, desde então as variações têm sido muito mais modestas e, no que toca a 2010, negativas (visto que tinha havido redução da área cultivada relativamente a 2009). Mesmo a subida de 59% em 2011 está muito longe dos 235% registados em 2007.

Finalmente neste outro gráfico pode ver-se a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Os valores da área total dedicada ao milho em Portugal (milho grão e milho para silagem) empregues neste cálculo são os disponibilizados pela Associação Nacional e Produtores de Milho e Sorgo em www.anpromis.pt/areas-de-milho-2004-a-2011]

Embora o milho transgénico tenha ganho terreno dentro do cultivo global de milho em Portugal, verifica-se que não conseguiu sequer atingir ainda o patamar dos 10%. Ou seja, continua a ser verdade que o milho transgénico em Portugal é uma opção residual, longe de encantar a maioria dos produtores.

Não é de descartar a hipótese de que a adesão aos transgénicos possa continuar a subir no futuro. A pressão do governo americano poderá facilmente ser a razão por detrás dessa tendência.

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