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Transgénicos? Não, obrigado!UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS
1. Os transgénicos não resolvem a crise alimentar"A crise climática foi usada para promover os biocombustíveis, o que ajudou a criar a crise alimentar. E agora a crise alimentar está a ser usada para dar um novo fôlego à indústria da engenharia genética."*1 "O meu lado cínico acha que eles estão a usar a actual crise alimentar e energética como mola para impulsionar os transgénicos a nível político. Percebe-se porque é que o fazem, mas o problema é que essas alegações de que os transgénicos vão resolver os problemas da seca ou da fome no mundo não passam de palermice."*2 • Um relatório de 2008 do Banco Mundial*3 concluiu que a produção de biocombustíveis é responsável pela subida dos preços dos alimentos a nível mundial. A Monsanto, a maior multinacional dos transgénicos, tem estado na primeira linha a fazer pressão política a favor deste tipo de energia, que usa os alimentos para alimentar carros, e não pessoas. Ao mesmo tempo, enquanto a crise atingia o auge, a empresa conseguia lucros inimagináveis com a venda de sementes e pesticidas a preços inflacionados. Para 2008 a Monsanto já anunciou lucros líquidos de 11 mil milhões de dólares - em relação a 2007 isto representa um aumento de três mil milhões de dólares!*4 Para rematar, a mesma empresa tem defendido publicamente os (seus) transgénicos como solução para a crise alimentar que ajudou a criar. 2. Os transgénicos não aumentam a produção"Vamos falar claro. Neste momento [2008], não há variedades transgénicas em uso que tenham melhoria intrínseca de produtividade. Da mesma forma, não há qualquer transgénico disponível que resista à seca, use menos fertilizantes ou proteja o solo. Nem um."*5 • De acordo com números oficiais do governo americano,*6 não há transgénicos à venda que sejam mais produtivos do que as variedades de ponta convencionais. Apesar das promessas, o transgénico mais cultivado no mundo, a soja, tem uma produtividade reduzida face à soja convencional que pode atingir os 10% de quebra (400 kg por hectare).*7 O maior estudo europeu*8 sobre a matéria, realizado em Espanha, verificou que há mais regiões onde o milho transgénico não dá mais lucro face ao convencional do que o contrário. 3. Os transgénicos aumentam o uso de pesticidas"A promessa era de que íamos usar menos químicos e obter mais produção. Mas deixem-me dizer-vos que nada disso é verdade."*9 • Dados publicados pelo Departamento de Agricultura americano*10 mostram que nos Estados Unidos as culturas transgénicas conduziram a um aumento - e não a uma redução - da aplicação de pesticidas, quando comparadas com culturas convencionais. 4. Há maneiras melhores de alimentar o mundo"Actualmente já sabemos que quase todos os problemas que [os transgénicos] dizem que vêm resolver podem ser solucionados em poucos dias, se houver vontade política adequada." • Em 2008 foi publicado o maior estudo*11 jamais realizado sobre a agricultura mundial, financiado pelas Nações Unidas e Banco Mundial. No seu relatório final, compilado por mais de 400 especialistas de todo o mundo ao longo de quatro anos e ratificado já por 58 países, concluiu-se que os transgénicos têm pouco a oferecer à agricultura no que toca aos grandes desafios futuros: reduzir a pobreza, matar a fome, fazer frente às alterações climáticas e preservar a biodiversidade. Ainda segundo este documento, existem soluções melhores que podem desde já ser postas em prática. Haja vontade política. 5. Estão disponíveis outras e melhores tecnologias agrícolas"Está a acontecer uma revolução silenciosa na área do mapeamento dos genes, que nos ajuda a entender melhor as variedades agrícolas. Isto já é uma realidade actualmente, e pode ter muito mais impacto na agricultura [do que os transgénicos]."*12 • A gestão integrada, o recurso a variedades tradicionais e outras metodologias de baixo consumo de recursos, incluindo a agricultura biológica, têm-se mostrado altamente eficazes no controlo de pragas, na minimização da poluição e na obtenção de uma produtividade sustentável ao longo do tempo.*13 Outras abordagens não-transgénicas para o melhoramento de variedades, como a selecção assistida por marcadores, têm grande potencial para contribuir para a melhoria futura da produtividade sem os perigos que a engenharia genética implica.*14 6. Está por demonstrar a segurança dos alimentos transgénicos"Estamos a ser confrontados com a tecnologia mais poderosa que o mundo alguma vez conheceu, que está a ser generalizada rapidamente e sem praticamente nenhuma preocupação quanto às suas consequências." • A engenharia genética é uma técnica rudimentar e imprecisa de introduzir material genético (de vírus, bactérias, ou mesmo genes sintéticos) em plantas agrícolas. As consequências biológicas são, por definição, imprevisíveis, e nenhum dos transgénicos em circulação em Portugal foi objecto de qualquer estudo sobre os seus efeitos na saúde humana, quer a longo prazo, quer nas próximas gerações, apesar de serem testes obrigatórios previstos na legislação europeia. Alguns estudos preliminares de curta duração já detectaram efeitos preocupantes.*15 Existe um único estudo*16 sobre os efeitos directos em pessoas que comem transgénicos, onde se verificou que as bactérias do intestino incorporaram os transgenes provenientes da soja. 7. Os transgénicos tornaram-se invisíveis"Cada europeu come diariamente uma dose de transgénicos."*17 • A carne, ovos, leite e lacticínios dos animais alimentados com os milhões de toneladas de rações transgénicas que entram anualmente na União Europeia não têm de ser rotulados. Já há estudos científicos que demonstram que, quando os transgénicos são usados nas rações animais, é possível detectar material transgénico nos alimentos.*18 Nada garante a segurança de tais produtos. 8. Ninguém está a monitorizar o impacto dos transgénicos na saúde"Nas actuais condições de montorização, quaisquer novas consequências negativas para a saúde teriam de ser um disastre monumental para se tornarem detectáveis."*19 • Tem sido argumentado que os americanos comem transgénicos há uma década sem que surjam consequências. Mas nos Estados Unidos os transgénicos não são rotulados e não há estudos para detectar eventuais efeitos. Noutros escândalos alimentares, como por exemplo o das gorduras hidrogenadas, demorou décadas até se perceber e conseguir demonstrar que estavam a causar milhões de mortes entre os consumidores.*20 9. A coexistência entre agriculturas com e sem transgénicos é impossível"Em relação aos transgénicos, estamos todos de acordo: não se consegue controlar a disseminação. Portanto não vamos correr esse risco."*21 "Segundo o especialista [Joel Figueiredo, fundador e dirigente da Associação Nacional de Produtores de Milho e gerente da Cooperativa de Coimbra], uma parte importante das produções tradicionais de milho acaba por ser contaminada pela «polinização cruzada», sendo assim difícil encontrar milho que não contenha mais ou menos genes dos OGM." "Se algumas pessoas conseguirem o direito a cultivar e vender transgénicos, a consequência vai ser que em breve ninguém vai ter o direito a cultivar, vender e comer sem transgénicos. É uma escolha irreversível, como a introdução de coelhos na Austrália: uma vez feito, não pode ser desfeito."*22 • A contaminação da produção convencional e biológica pelos transgénicos está a aumentar. Nos Estados Unidos, o cultivo experimental por um único ano de uma determinada variedade de arroz transgénico, não autorizado para venda, levou à contaminação generalizada da produção comercial de arroz longo e até das linhagens pré-comerciais.*23 No Canadá, a produção biológica de colza foi praticamente eliminada devido à contaminação por colza transgénica.*24 E em Espanha, um estudo recente verificou que o milho transgénico está a conduzir a uma redução drástica na produção biológica deste cereal.*25 10. As empresas dos transgénicos não são de confiança"Os agricultores estão a ser processados por ter transgénicos na sua propriedade que eles não compraram, não querem, não vão usar, nem podem vender."*26 "A lista de acusações é horrífica, inexorável e convincente. A empresa multinacional Monsanto, que vende 90% dos transgénicos, mente em larga escala a muita gente e até ao mundo inteiro, com grande sucesso. Esse é o poder que o dinheiro e que o apoio, aparentemente ilimitado, do governo americano, conseguem atingir. Mas quem viu o documentário extraordinário 'O Mundo segundo a Monsanto' de Marie-Monique Robin já sabe isso tudo." • As grandes multinacionais da engenharia genética têm um cadastro marcado pela mentira, contaminação, envenenamento e corrupção.*27 As sementes transgénicas são vistas como uma excelente oportunidade de negócio porque lhes permitem obter patentes e, assim, conseguir um monopólio sobre o que o mundo pode ou não cultivar e comer. Os agricultores que são apanhados a guardar sementes transgénicas da sua produção para voltar a semear no ano seguinte são arrastados para tribunal e daí para a falência. Isto passa-se mesmo quando esses transgénicos aparecem nos campos através de contaminação acidental devido ao vento ou aos insectos.*28 ------ 1. “Hope for Africa lies in political reforms”, Daniel Howden, The Independent, 8 Setembro 2008. Disponível aqui. A Plataforma agradece a GM Watch a disponibilização de informação. Este Manifesto também está disponível noutros formatos: ( categories: )
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