Diga o que pensa a quem manda!

Novembro de 2009



 
Ajudar a defender o nosso arroz é simples. Basta:
 
      1. Informar-se!
      2. Agir!
      3. Divulgar!

Pela primeira vez uma empresa (a alemã Bayer) pretende comercializar arroz transgénico na União Europeia. Até aqui as plantas transgénicas estavam praticamente limitadas às rações animais. Mas agora a engenharia genética chegou directamente ao nosso prato. O que fazer?


1º passo: Informe-se!

SABIA QUE...

... o arroz é o alimento mais importante do mundo? Mais de metade da população mundial come arroz todos os dias. E, de entre os europeus, os portugueses são os maiores consumidores de arroz: cada um de nós come em média cerca de 15 quilos por ano!

... a empresa Bayer pretende que a União Europeia aprove até ao final de 2009 a importação e consumo do arroz LL62, um arroz transgénico que é muito diferente do arroz convencional tanto em termos de vitaminas (B5 e E), como em cálcio, ferro e ácidos gordos?

... o arroz transgénico LL62, da empresa Bayer, foi manipulado para se tornar resistente a grandes doses do herbicida glufosinato, também da Bayer? Isso significa que cada bago de arroz transgénico vai ter mais resíduos desse poluente do que qualquer outro tipo de arroz - e o glufosinato foi avaliado como sendo de «alto risco» para o ser humano e outros mamíferos.

... na verdade, esse herbicida glufosinato é tão tóxico que já foi decidida a sua proibição na União Europeia a partir de 2017? Se a União Europeia aprovar o arroz transgénico é como estar a dizer: «Não permitimos cá este herbicida, mas não queremos saber se abrimos as portas para este arroz ser produzido noutros países que assim vão ficar poluídos. Também não nos interessa se o glufosinato, apesar de proibido, acaba por voltar a entrar na nossa cadeia alimentar através do arroz que importarmos.»

... os resíduos do herbicida não desaparecem quando se coze o arroz?

... a entrada do arroz transgénico na Europa, segundo documentos da própria empresa Bayer, vai levar à contaminação dos campos de cultivo de arroz normal?

... a Bayer não é de confiança? Nos Estados Unidos em 2006 uma das suas variedades de arroz transgénico, apenas autorizado para testes experimentais, contaminou extensas áreas de arroz agulha e o resultado foi um prejuízo superior a 1,2 mil milhões de dólares para toda a indústria arrozeira daquele país. E a Bayer, o que fez? Descartou-se de todas as responsabilidades afirmando simplesmente em tribunal que esse acidente tinha sido «um acto de Deus»!

... esta é uma decisão sem retorno? Não existe cultivo comercial de arroz transgénico em país algum do mundo. A Bayer quer forçar a União Europeia a aprovar a importação do arroz LL62 de modo a depois começar o cultivo em países com legislação mais frágil. A consequências será a contaminação das variedades de arroz um pouco por todo o mundo. E finalmente a União Europeia ver-se-á obrigada a autorizar o cultivo transgénico também por cá, porque – tal como já acontece com outras espécies – as variedades normais de arroz terão ficado irremediavelmente comprometidas.

... nada está perdido? Ainda estão pela frente duas votações em Bruxelas, uma a nível de comité regulador e outra no Conselho de Agricultura, que ainda não têm data marcada. Portugal tem 12 votos e são necessários 91 votos contra para bloquear esta aprovação. Para a chumbar definitivamente é preciso reunir 255 votos (existe um total de 345 votos no Conselho). Se Portugal se abstiver é como se estivesse a votar a favor - só um voto contra é que interessa! Por isso vale a pena mostrar ao ministro de que lado temos de nos colocar, porque a nossa posição pode fazer a diferença na balança europeia.



2º passo: Passe à acção!

ESCREVA ao Ministro da Agricultura e diga-lhe para votar contra qualquer autorização do arroz transgénico LL62. Os contactos são estes:

Morada: Ministério da Agricultura, Praça do Comércio, 1149-010 LISBOA
Email: gabministro@madrp.gov.pt
Fax: 213 234 604

Pode usar o texto abaixo, ou modificá-lo como entender. Por favor envie-nos cópia do email, carta ou fax para info@stopogm.net

EXEMPLO DE CARTA

Exmo Sr Ministro da Agricultura,

Venho por este meio expressar a minha total oposição à aprovação do arroz transgénico LL62 da Bayer e solicitar que vote contra esse arroz em todas as circunstâncias ao seu alcance. Se fosse aprovado, o arroz LL62 seria o primeiro transgénico em circulação na União Europeia dirigido directamente ao consumo humano. Tornar-se-ia parte da alimentação de todos: pessoas saudáveis e doentes, crianças e adultos, grávidas e idosos. Mesmo que no supermercado - se a rotulagem estivesse a ser cumprida! - fosse possível evitar comprar esse arroz, já não haveria nenhuma escolha em cantinas ou restaurantes. E, com o tempo, a contaminação tornaria cada vez mais difícil produzir e manter arroz normal, livre da presença transgénica. O arroz não transgénico tornar-se-ia uma raridade cara, só para as elites que apreciam o gourmet e o pudessem pagar.

Portugal é o terceiro maior produtor de arroz da União Europeia, e os portugueses comem, por ano, mais arroz do que qualquer outro europeu. Se o arroz transgénico da Bayer for aprovado para o mercado europeu, seremos dos mais afectados. É pois a nossa saúde, economia e cultura que estão em causa.

Senhor Ministro: não há ninguém em Portugal a pedir arroz transgénico - nem a indústria, nem os consumidores, nem os agricultores. Qualquer voto português a favor, ou mesmo uma abstenção, representaria uma vénia a interesses que não são os nossos. Para protecção dos consumidores e do arroz cultivado em Portugal apelo a que o governo assuma as suas responsabilidades e afirme publicamente que fará tudo ao seu alcance para evitar este atentado à nossa alimentação e gastronomia.

Com os melhores cumprimentos,

NOME:_________________________________________________________________

BI:_____________________
[ASSINAR COM NOME COMPLETO E INDICAR O NÚMERO DO BILHETE DE IDENTIDADE]


3º passo: Peça aos seus amigos para fazerem o mesmo!

Envie aos seus amigos, familiares ou conhecidos a indicação para vir a esta página (http://www.stopogm.net/?q=node/709) ou mande-lhes a informação de modo a que também possam escrever ao nosso ministro. Também é importante que fiquem a saber que todos os pedidos/protestos ao ministro devem ser enviados com cópia para a Plataforma Transgénicos Fora (info@stopogm.net) para que possamos fazer uma contagem aproximada.

NOTA: À medida que mais dados forem ficando disponíveis iremos disponibilizá-los nesta página. (Actualizado a Novembro de 2009)

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Cantinas livres de transgénicos - Exemplo vem do Brasil

2009/10/20 - A câmara municipal de Fortaleza (capital do Ceará, Brasil) aprovou hoje por unanimidade a proibição de usar alimentos transgénicos em todas as refeições escolares do concelho. São mais de 340 escolas e de 250 mil crianças que vão ter direito a uma alimentação mais segura!

Pode consultar aqui a notícia da imprensa.

França: Aprovada primeira zona livre de transgénicos em área protegida

2009/09/14 - A câmara de agricultura da Ardèche francesa aprovou por unanimidade uma deliberação que torna a área protegida da região (Parc Naturel Régional des Monts d’Ardèche) uma zona livre de cultivos transgénicos. Esta decisão é tomada ao abrigo da nova lei francesa sobre organismos geneticamente modificados e deverá agora ser incorporada na Carta Constituinte do parque. O território do parque abrange 132 comunas e 180 mil hectares, e nele habitam 56 mil habitantes.

Veja aqui o texto original.

Governo irlandês adopta uma política de exclusão de transgénicos

2009/10/13 - O governo irlandês acabou de aprovar um programa que impõe a proibição de cultivo de todas as plantas transgénicas no país. Também vai ser introduzido um rótulo voluntário para os produtos alimentares "livres de transgénicos", incluindo produtos animais em que não foram entraram quaisquer rações transgénicas.

Veja aqui a notícia original.

Milho Transgénico no México :: Apelo para Acção Internacional a 12 de Outubro de 2009



Pela Soberania Alimentar e pela Cultura Tradicional de Milho do México

Convocamos a população a exigir que todos os alimentos que comemos diariamente sejam livres de transgénicos.

Convocamos os organismos internacionais a condenar ao governo do México por esta violação dos direitos ancestrais dos camponeses, da biodiversidade, da soberania alimentar e do princípio de precaução em centros de origem de um produto básico para a alimentação e a economia mundial.

Dia 12 de Outubro 2009, protesta na embaixada do México contra o cultivo de milho transgénico no México!

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Nem os agricultores acreditam!

2009 - Embora a cartilha oficial afirme que os transgénicos são totalmente inócuos e seguros, nem os agricultores que os usam acreditam nisso. Vejam bem o aviso colocado num milheiral transgénico do Ribatejo profundo... pelo próprio dono do cultivo:

Vista de longe

Vista de perto

LEGISLATIVAS: PLATAFORMA TRANSGÉNICOS FORA ANALISA PROGRAMAS E CAMPANHAS ELEITORAIS

2009/09/24 _ Omissão dos partidos a tema social controverso constitui risco para a democracia
A Plataforma analisou o programa eleitoral e acompanhou a campanha dos partidos com assento parlamentar. Lamentavelmente, a maioria dos partidos omite a sua posição aos eleitores, naquele que é um tema cada vez mais discutido na Europa e no Mundo e que afecta todos os cidadãos, desde os produtores agrícolas até aos consumidores...

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O folheto que irritou a Monsanto!

Actualização a Agosto 2009 - Depois de uma onda de controvérsia, a brochura foi recolocada online no site do Ministério da Agricultura brasileiro. Aparentemente a distribuição em papel também está a ser retomada. Uma coisa é certa: se a Monsanto pretendia abafar este documento, o que conseguiu foi uma enorme publicidade e divulgação para o mesmo, dentro e fora do Brasil. Bom trabalho!

Julho 2009 - O Ministério da Agricultura brasileiro (que está longe de ser anti-OGM!) publicou uma brochura de divulgação da agricultura biológica onde tem duas frases simples, objectivas e pacíficas sobre transgénicos:

«O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza. Transgênicos são plantas e animais onde o homem coloca genes tomados de outras espécies.»

A empresa Monsanto ficou enfurecida e movimentou todas as suas influências. Conseguiu bloquear a distribuição do documento em papel e fez ainda que ele fosse retirado do site do Ministério da Agricultura brasileiro. Liberdade de expressão? Democracia? Nada de confusões. Esta empresa prefere a linha do pensamento único, obviamente traçada por eles.

Mas, enquanto a Monsanto não consegue fechar a democracia no mundo inteiro, aproveite para descarregar a brochura brasileira "O Olho do Consumidor"

CULTIVO DE MILHO TRANSGÉNICO EM PORTUGAL - OS NÚMEROS

2009/07 - Agora que já saíram os números oficiais relativos a 2009 sobre o cultivo de milho transgénico em Portugal, vale a pena olhar para as tendências e tentar perceber o que nos dizem.
Vejamos o gráfico com a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal:

Note-se que o gráfico foi construído com base nos números oficiais do Ministério da Agricultura. Embora a área cultivada ainda esteja a aumentar, esse aumento é cada vez mais reduzido - o crescimento está a estagnar. Essa aceleração negativa também pode ser observada neste gráfico que mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Finalmente vale a pena olhar para este gráfico, que mostra a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Como há diferentes valores para a área total dedicada ao milho, usámos a referida num artigo científico recente: Skevas, Wesseler, Fevereiro (2009) Coping with Ex-ante Regulations for Planting Bt Maize - The Portuguese Experience. AgBioForum 12(1):60-69]
O que é que todos estes números mostram? Que, ao contrário do que muitos nos querem fazer crer, o cultivo de milho transgénico está a enquistar em Portugal em zonas residuais relativamente ao cultivo de milho em geral. E se o Ministério da Agricultura, em vez de promover uma tecnologia patenteada cujo lucro reverte directamente para multinacionais estrangeiras, desse atenção e apoiasse o desenvolvimento de processos e boas práticas capazes de resolver de forma ecológica e sustentável o problema da broca do milho, a adesão ao milho transgénico seria ainda menor que a actualmente observada.

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