Há quem diga que o debate sobre a segurança dos OGM está encerrado. Estará?

Desde que foi publicado em 2012 o artigo de revisão de Snell, Ricroch e colaboradores tem vindo a ser apresentado como definitivo no que toca à demonstração de que os alimentos transgénicos são seguros. A própria Agnès Ricroch, investigadora do instituto francês AgroParisTech e coordenadora deste estudo, afirmou taxativamente que os transgénicos eram inócuos e o debate estava encerrado. Mas alguém acredita que seja possível, por exemplo, concluir que todos os medicamentos são seguros – mesmo os que ainda não foram comercializados – só porque se reuniu uma série de estudos que olharam para alguns aspetos de alguns medicamentos e não encontraram nada? Seria uma atitudo pouco científica e muito dogmática.

Greenfest - Que papel para as multinacionais?

A Campanha das Sementes Livres, que a Plataforma Transgénicos Fora tem vindo a apoiar, foi convidada a participar no Greenfest, que se anuncia como "o maior evento de sustentabilidade do país". No entanto, e face ao envolvimento na iniciativa de empresas com práticas profundamente insustentáveis, a Campanha decidiu não participar e explica porquê. Leia aqui a informação detalhada.

França e Itália: dois grandes produtores de cereais, duas proibições ao cultivo de milho transgénico

 

2014/04/15 - Segundo um despacho da agência Reuters de hoje, a câmara baixa do Parlamento francês aprovou uma lei que proibe o cultivo de toda e qualquer variedade de milho geneticamente modificado em solo nacional devido aos seus impactos ambientais. Esta decisão vem na sequência de um decreto governamental publicado há cerca de dois meses e que suspendia temporariamente esses cultivos. Em Itália a proibição do milho transgénico MON 810 já vem de 2013 e conta com um apoio massivo de 80% da população, mas foi recentemente reforçada por um tribunal regional italiano. Note-se que a França e a Itália são, respetivamente, o 6º e 8º maior produtor mundial de milho, o que mostra a importância do cultivo deste cereal nesses países. E se eles, que levam o cultivo de milho a sério, proibem as variedades transgénicas, Portugal faria bem em pensar duas vezes antes de continuar a cultivar qual beco sem saíde.

QUERCUS E PLATAFORMA TRANSGÉNICOS FORA PEDEM AOS AUTARCAS QUE ABANDONEM USO DE HERBICIDAS

2014/03/20 _ Na Semana Internacional de Ação Contra os Pesticidas  
A Quercus e a Plataforma Transgénicos Fora (PTF), onde estão representadas as principais associações portuguesas de defesa do ambiente de âmbito nacional, endereçaram uma carta a todos os presidentes de Câmaras Municipais alertando para os riscos ambientais e de saúde, da aplicação de herbicidas em espaços urbanos, prática generalizada por todo o país...

TRANSGÉNICOS FORA DE CONTROLO EM TODO O MUNDO

2013/11/12 _ Contaminação da biodiversidade é caminho errado para o futuro 
Lisboa/Munique - É hoje divulgado o primeiro relatório global sobre o alastramento incontrolável da contaminação transgénica em espécies como o milho, arroz, algodão, colza e até um choupo e uma gramínea...

A Lista Negra

A Plataforma Transgénicos Fora realizou nos hipermercados, no final de 2012 e início de 2013, um levantamento dos óeleos que contêm ingredientes transgénicos (ingredientes esses que atualmente se resumem à soja). Abaixo pode ver a lista completa das marcas de óleo que incluem soja transgénica. Os produtos biológicos são sempre produzidos sem transgénicos. A lista será atualizada sempre que surgirem novas informações.

MARCA DO ÓLEO
PRODUTOR OU DISTRIBUIDOR

ONDE ESTÁ À VENDA

Apetite
Sovena
Pingo Doce
Finóleo
Sovena Intermarché
Frigi
Sovena Continente, E. Leclerc, El Corte Inglés, Froiz, Intermarché e Jumbo
Fritóleo
Sovena El Corte Inglés e Jumbo
Abrilsem
Aceites Abril
Froiz
Gesi
Sovena Continente
Olisoja
Sovena Continente, El Corte Inglés e Jumbo
Pôr do Sol
Riazor
Continente
Serrata
Cidacel
E. Leclerc
Top Budget
Regional Mercadorias
Intermarché
Vêgê
Sovena
Continente, E. Leclerc, El Corte Inglés, Froiz, Intermarché e Jumbo
Vitóleo
Sovena Lidl

Nota: A marca SOS Pobreza comercializada em benefício da AMI inclui um óleo que contém soja geneticamente modificada. No entanto fomos alertados pela AMI a 25 de janeiro de 2013 de que este produto ia deixar de ser comercializado. É pois de esperar que o óleo desapareça dos supermercados após esgotamento das existências.

Transgénicos, Ciência e Independência q.b.

A bomba que abalou o confortável dia-a-dia dos vendedores de transgénicos foi publicada, sem aviso prévio, no dia 19 de Setembro de 2012 na revista científica Food and Chemical Toxicology(1). As notícias? O milho transgénico NK603, da Monsanto, que pela primeira vez fora estudado quanto à sua toxicidade a longo prazo (dois anos, o que corresponde ao ciclo de vida completo dos animais usados), revelou-se causador de morte prematura, para além de tumores e danos em múltiplos órgãos vitais(2). A máquina de contra-propaganda entrou imediatamente em turbo. Tudo estaria errado neste estudo: a começar com o próprio cientista principal, G.E. Séralini, acusado de desenvolver uma guerrilha pessoal contra os transgénicos, de estar à procura de publicidade para vender o seu livro, de aceitar financiamento proveniente de uma fundação que se posicionou contra os transgénicos ou de não divulgar todo e cada um dos dados de laboratório obtidos durante o estudo, entre outros.

Arroz Dourado - A visão de um Eldorado transviado

A criação de plantas transgénicas com vista ao melhoramento dapropriedades nutricionais (biofortificação) revelou-se uma estratégia tão controversa e criticável quanto a dos restantes tipos de alimentos geneticamente modificados. Este pequeno comentário centra-se apenas no alimento biofortificado mais conhecido, o arroz dourado, cuja fama lhe garantiu até presença num exame nacional de biologia do 12º ano (2ª fase de 2006). À partida não poderia ser uma iniciativa mais nobre: resolver um problema dramático e muito real que é a subnutrição na forma de avitaminose A, cujas consequências vão desde a cegueira à morte prematura. Este é um desafio de muitos países em vias de desenvolvimento: a Organização Mundial de Saúde estima que atinge 190 milhões de crianças em todo o mundo, sobretudo em África e na Ásia. Anualmente são cerca de 670 mil as crianças que morrem por deficiência em vitamina A, e mais de 250 mil as que ficam cegas. O projeto do arroz dourado iniciou-se na década de 80 e poderá em breve ser autorizada a primeira variedade comercial (nas Filipinas). E é aqui que começam os problemas. Apesar das três décadas de investigação, e das dezenas de milhões de dólares em financiamentos, quase nada está publicado na literatura científica sobre o desempenho e segurança deste transgénico.

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